Em parceria com a consultoria New Roads, fizemos em conjunto um Webinar sobre usinas de asfalto. Segue vídeo abaixo com a apresentação de cerca de 1 hora:
Tecnologias, equipamentos, técnicas e boas práticas de pavimentação asfáltica. Informações sobre construção, manutenção e recuperação de rodovias e vias urbanas.
sábado, 28 de novembro de 2020
sábado, 30 de maio de 2020
Veículo de transferência de material (asfalto)
Um equipamento ainda pouco conhecido no Brasil tem sido utilizado cada vez mais em obras de pavimentação pelo mundo. O veículo de transferência de material tem a função de receber o concreto asfáltico de um caminhão e transportar para uma pavimentadora / vibroacabadora de asfalto. O uso deste equipamento traz grandes melhorias para a qualidade da pavimentação e o aumento da vida útil de um novo pavimento asfáltico.
O primeiro equipamento foi lançado em
1989, pelo fabricante norteamericano Roadtec com o nome de MTV Shuttle Buggy
(MTV = material transfer vehicle, Shuttle Buggy = veículo aberto de
transporte). Esta máquina passou por aprimoramentos técnicos e hoje é a melhor
opção para obter um pavimento homogêneo e com qualidade ao evitar um dos
maiores problemas na etapa construtiva: a segregação da mistura asfáltica. Nos
anos 1980 houve muitas pesquisas e investigações nos Estados Unidos que
apontaram a segregação como uma das principais razões para problemas prematuros
em pavimentos. Isto inspirou a busca por uma solução técnica que evitasse a
segregação.
Veículo de transferência de material
em operação
PROBLEMA 1 - SEGREGAÇÃO
GRANULOMÉTRICA
Podemos definir a segregação granulométrica
como o efeito causado pela separação dos agregados de maior tamanho dos
materiais menores, tornando a mistura sem homogeneidade. Este tema já foi
postado aqui no blog em 2017.
As causas que resultam em segregação
são geralmente ocasionadas pela gestão ineficiente no transporte ou quando
ocorre uma longa espera nos caminhões. A mistura asfáltica é aplicada sem ter
homogeneidade em sua composição, embora tenha sido produzida em uma usina de
asfalto de forma homogênea. Os estudos preliminares consideram um pavimento
homogêneo para cumprir com suas funções e atingir um determinado período de
vida útil. Porém ao ocorrer segregação dos materiais na etapa construtiva,
estes quesitos não serão cumpridos. Alguns pontos terão menor capacidade de
suporte às ações das cargas do tráfego, com maior volume de vazios. Alguns
estudos apontaram que ao ter um aumento de apenas 1% no volume de vazios, a vida útil do asfalto pode ser reduzida em até 10%.
PROBLEMA 2 - FALTA DE HOMOGENEIDADE
DE TEMPERATURA
Quando foi realizada a pesquisa para investigar
as causas das falhas precoces nos pavimentos, se observou todo o processo
construtivo da pavimentação asfáltica. Foi constatado através do uso de câmeras
infravermelhas que a mistura asfáltica ao ser transportada em caminhões
apresentava diferenças significativas de temperaturas. A parte externa, em
contato com o ar, esfriava rapidamente. Esta falta de homogeneidade na
temperatura pode provocar problemas durante a pavimentação e compactação.
Toda mistura asfáltica sofre
segregação térmica, não importando se o material acabou de ser produzido, ou se
a usina de asfalto está próxima da obra ou o tipo de ligante asfáltico que é
utilizado. A vibroacabadora de asfalto não tem como evitar a segregação
térmica. A vida útil do pavimento asfáltico é seriamente afetada. Abaixo uma
sequência de imagens explicando de forma clara a questão da segregação térmica,
gerada em função da falta de homogeneidade de temperatura de um carregamento de
concreto asfáltico e sua aplicação.
DETALHES TÉCNICOS DO EQUIPAMENTO
O transferidor do tipo Shuttle Buggy
possui um silo de entrada, onde o caminhão descarrega o material. Uma correia
primária transporta o CBUQ até o compartimento de mistura. Após a mistura e
homogeneização do material, uma segunda correia transporta da parte interna
para a externa, onde uma terceira correia com deslocamento lateral faz a
transferência até o silo da vibroacabadora.
O grande diferencial técnico é o
compartimento onde ocorre uma nova mistura do material asfáltico. Na parte
inferior deste compartimento há um eixo distribuidor sem-fim de três seções,
com a função de executar a mistura do concreto asfáltico recebido de um
caminhão. Esta ação equaliza as temperaturas e mistura uniformemente as
partículas do CBUQ. A capacidade de recebimento depende do modelo, com três
opções: 15, 25 e 30 toneladas.
A correia transportadora de descarga
é articulável em até 55° para a direita ou esquerda, permitindo pavimentar de
forma deslocada e poupar tempo e dinheiro em determinados tipos de aplicações. Este
recurso permite manter os caminhões fora do trecho onde foi aplicado a pintura
de ligação.
Detalhes do veículo de transferência
de material asfáltico
As correias transportadoras de recebimento e descarga são ambas deslocáveis, se ajustando respectivamente ao tipo de caminhão e a posição da vibroacabadora.
Usando o Shuttle Buggy, a pavimentação asfáltica tem total homogeneidade de temperatura
Usando o Shuttle Buggy, a pavimentação asfáltica tem total homogeneidade de temperatura
ECONOMIA E MELHORIA NA LOGÍSTICA
O uso de um veículo de transferência
permite utilizar menos caminhões entre a usina de asfalto e o local da
pavimentação. A capacidade de armazenar o concreto asfáltico pode eliminar os
atrasos que acontecem quando o caminhão vazio se retira e a vibroacabadora de
asfalto precisa interromper o trabalho porque o próximo caminhão ainda não
chegou na obra. A diminuição no número de caminhões aumenta a eficiência, reduz
custos e melhora a lucratividade do projeto. Basta otimizar a quantidade
necessária, sem precisar ter caminhões parados na obra esperando a vez de
descarregar o material.
PAVIMENTAÇÃO CONTÍNUA
Manter a vibroacabadora em movimento
também é outro benefício do veículo transferidor. A pavimentação executada de
forma contínua evita que a mesa compactadora “afunde” sobre o material. Isto é
uma ocorrência muito comum em obras pelo Brasil, resultando em um desnível
longitudinal. Muitas vezes este desnível não é corrigido de maneira adequada,
permanecendo a irregularidade na pista. Valores de IRI (índice de irregularidade
longitudinal) baixos são garantidos com o uso do veículo de transferência, em
vez de descarregar o caminhão diretamente na vibroacabadora.
COLISÕES DO CAMINHÃO NA
VIBROACABADORA
Outra ocorrência muito comum em obras
rodoviárias brasileiras é a colisão do caminhão ao descarregar o concreto
asfáltico na vibroacabadora. Dependendo da força do impacto, ocorre um desnível
longitudinal em função da mesa compactadora sofrer um “tranco” durante o
processo de pavimentação. Quando a vibroacabadora está se deslocando, a mesa
compactadora flutua sobre a camada asfáltica ainda quente. A ação de seu peso
junto com dispositivos de pré-compactação define a espessura de lançamento, em
combinação com o ajuste de ângulo de ataque da mesa. Ao ocorrer o impacto, o
equilíbrio de forças se altera por um instante, provocando o desnivelamento.
USO NO BRASIL
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Pavimentação urbana no Brasil
Primeiramente
gostaria de agradecer os contatos que recebo com frequência vindos através do
blog, por e-mail ou diretamente por mensagens de WhatsApp. O blog tem mantido
uma média superior a quatro mil acessos por mês, mesmo sem eu nunca ter feito
divulgação alguma. Apenas pela sequência de postagens desde 2012 o blog acabou
ficando bem posicionado nas buscas através de palavras-chave, e assim a
“audiência” foi crescendo. Procuro sempre responder a todos, mesmo que algumas
vezes demore vários dias.
Em função de
razões pessoais e profissionais, não consegui atualizar o blog com a frequência
que gostaria em 2019. Mas estou já com alguns novos assuntos “no forno”,
prestes a serem postados.
E a pavimentação urbana do Brasil, como melhorar?
Não é preciso
ser especialista em pavimentação para constatar que a qualidade da pavimentação
das cidades brasileiras é péssima. Seja em grandes capitais ou em cidades
pequenas do interior, é cada vez mais difícil encontrar uma avenida ou rua que esteja
em ótimo estado de conservação. Mesmo em obras executadas há pouco tempo é
comum o aparecimento de defeitos precoces. Trafegar pelas vias brasileiras tem
sido cada vez mais um teste de perícia e paciência para desviar de tantos
buracos e defeitos.
Quais são as
razões? Inúmeras. Primeiramente a cultura de baixa qualificação técnica dos trabalhadores
que executam as obras e a falta de exigências de qualidade pelos órgãos
públicos responsáveis pela fiscalização das obras. A maioria das falhas são as
mesmas, repetidas do Oiapoque ao Chuí. E quais são as falhas mais comuns? Os 10
principais problemas observados na pavimentação urbana brasileira:
1. AUSÊNCIA DE ESTUDOS, PROJETOS
TÉCNICOS E PROCEDIMENTOS EXECUTIVOS DE PAVIMENTAÇÃO
Raramente os
municípios fazem estudo de tráfego, sondagem da base (para verificar o CBR
existente) ou dimensionamento adequado das camadas por algum método (Marshall,
Superpave, etc). O que fazem é simplesmente pavimentar de qualquer maneira
sobre uma base aparentemente compactada. Os problemas ocorrem principalmente em
vias onde há tráfego mais pesado, com circulação de ônibus e caminhões.
A falta de
investigações, de estudos e a ausência de projetos adequados resultam em falhas
precoces e pavimentos destruídos em tempo cada vez mais curto. No entanto os
maiores erros se percebem durante a execução. São raras as equipes de
pavimentação de prefeituras que tenham recebido treinamentos técnicos, ou que
sigam algum manual com procedimentos que os orientem durante a execução das
obras.
Em muitas
cidades se observam técnicas bizarras, como as fotos abaixo flagradas em uma
rua de Porto Alegre. Como justificar um gasto público com uma aplicação tão sem
sentido? Irregularidade de paralelepípedo basta remover as pedras, corrigir o
solo abaixo, compactar e assentar as pedras novamente.
Em Porto Alegre adotam esta
“técnica”: correção do desnivelamento da via em paralelepípedo com aplicação de
algum tipo de mistura asfáltica.
2. DESCONHECIMENTO TÉCNICO DAS
OPÇÕES DE EQUIPAMENTOS E MATERIAIS
As prefeituras
têm imensas dificuldades técnicas em definir quais são os equipamentos que
podem auxiliar na manutenção viária. Muitas vezes por falta de conhecimento de
seu corpo técnico são licitadas máquinas inadequadas para a realidade local.
Por exemplo,
uma usina de asfalto a quente exige um alto valor financeiro para ser comprada
e também para realizar manutenções preventivas. Quando ocorre alguma manutenção
corretiva, em função de alguma falha de operação, o custo é ainda maior.
Somente cidades com boa saúde financeira conseguem manter em operação uma usina
de asfalto para produção de CBUQ. Mas não basta a usina, é preciso também
planejar como o asfalto será aplicado e o maquinário necessário. Muitas vezes o
asfalto produzido é aplicado de forma inadequada, com o uso de motoniveladoras
em vez de vibroacabadoras de asfalto, resultando em um pavimento com
imperfeições.
Usina de asfalto da
prefeitura de Porto Alegre. Em 2013 foram adquiridos dois modelos de 140
toneladas por hora de produção, porém não produzem nem 20 toneladas por dia.
Mais um exemplo de desperdício de dinheiro público.
Uma
solução para cidades de médio e pequeno porte é a aquisição de usinas de PMF
(pré-misturado a frio). Há modelos de equipamentos com menor capacidade de
produção, podendo atender perfeitamente a realidade de muitos municípios. O PMF
pode ser utilizado tanto em operações tapa-buraco quanto em pavimentação de
ruas de baixo tráfego. Em vias de maior tráfego pode ser utilizado também,
desde que tenha um projeto de mistura adequado, assim como o dimensionamento
das camadas de base. Hoje no mercado há inúmeros tipos de emulsões asfálticas
sendo comercializados, podendo produzir uma mistura a frio com qualidade
3. FALHAS BÁSICAS NOS
PROCEDIMENTOS DE EXECUÇÃOSe a falta de treinamento de mão-de-obra especializada é bastante comum em grandes construtoras, a situação nas prefeituras é muito pior. Praticamente não há treinamento algum para os funcionários responsáveis. O conhecimento é repassado de forma precária dos mais experientes para os mais novos. Só que esses conhecimentos são geralmente ultrapassados, e muitas vezes estão tecnicamente errados.
É preciso que
as prefeituras através da secretaria de obras e da maior autoridade do
município (o prefeito) busquem capacitações para os profissionais responsáveis
pelas obras de pavimentação. Justamente para evitar situações como a da foto
abaixo, onde a pintura de ligação foi aplicada de maneira precária e sem cumprir
com sua função técnica no processo de pavimentação.
A fiscalização
dos serviços das empresas ganhadoras de licitação também precisa ser melhorada.
Erros básicos são cometidos em todas as etapas da pavimentação, mas raramente
alguma medida é tomada contra a empresa executora. Muito em função da falta de
capacitação dos servidores responsáveis pela fiscalização, que simplesmente
desconhecem a forma adequada de executar uma obra de pavimentação asfáltica.
Pintura de ligação aplicada
de forma manual e precária. Desta maneira não há como garantir a coesão entre
base e a nova capa asfáltica.
4. SOBREPOSIÇÃO DE CAMADAS ASFÁLTICAS
Infelizmente uma prática muito comum pelo Brasil. O asfalto danificado e envelhecido não é removido. Simplesmente colocam uma nova camada asfáltica por cima, esquecendo o que permanece por baixo.
Esta prática
gera reflexão de trincas para a nova camada asfáltica. Uma camada asfáltica
nova sobre outra camada existe com muitos defeitos, sem realizar a remoção através
da fresagem. Quando ocorre uma situação como esta, o pavimento já está
condenado a sofrer trincas por reflexão.
Uma camada asfáltica totalmente trincada recebe uma
nova camada de pavimentação acima. Fotos: Felipe Cava, blog Além da Inércia: https://alemdainercia.wordpress.com/
5. FALTA DE NIVELAMENTO NA
PAVIMENTAÇÃO:
Trafegar nas cidades brasileiras significa sacolejar o tempo todo. Não apenas por causa dos buracos, mas também por causa da falta de nivelamento na pavimentação tanto no sentido longitudinal quanto no transversal. Praticamente não há o uso dos sistemas de nivelamento eletrônico nas pavimentadoras (vibroacabadoras) de asfalto que executam a pavimentação. A mistura asfáltica é aplicada por cima de uma base nivelada apenas pela passagem da lâmina de uma motoniveladora, o que não garante a regularidade geométrica.
Como melhorar? Há sistemas mais simples de nivelamento eletrônico. A instalação de sensores ultrassônicos faz com que a média das irregularidades seja repassada para a mesa compactadora da máquina, amenizando os desníveis longitudinais.
Raramente utilizam os
sistemas de nivelamento automático nos equipamentos. O que poderia diminuir as
irregularidades longitudinais e transversais dos pavimentos asfálticos.
O uso de simples sensores
ultrassônicos, sem contato, pode melhorar a qualidade da pavimentação de ruas e
avenidas.
6. USO INDISCRIMINADO DO
ASFALTO À FRIO ENSACADO
Eis uma prática que se dissemina feito erva-daninha pelo Brasil. O uso desenfreado do asfalto ensacado, como se fosse uma solução mágica para resolver todos os problemas das vias públicas brasileiras.
O asfalto a
frio ensacado é uma mistura asfáltica que utiliza um aditivo especial, que aumenta
sua capacidade lubrificante e permite que o material seja ensacado logo após
ser produzido. Posteriormente, ao abrir o saco, inicia-se o processo de reação
do aditivo com o oxigênio, diminuindo a trabalhabilidade da massa asfáltica e
provocando o endurecimento do material.
O produto não
é ruim, desde que seja utilizado de forma adequada. Para prefeituras que não
tenham maquinário próprio, ou regiões do Brasil que são carentes de empresas
especializadas em pavimentação, o asfalto ensacado pode ser uma ótima opção
para ser utilizado em caráter emergencial para operações tapa-buraco.
Acontece que alguns
fornecedores do produto vendem “gato por lebre”. Afirmam que o material pode
ser aplicado em buraco cheio d´água e que pode ser compactado pelo próprio
tráfego. Uma bobagem total. Nenhum buraco com água dentro é devidamente tapado sem
estar seco, é uma lei básica da física (dois corpos não podem ocupar o mesmo
lugar no espaço ao mesmo tempo). Se a água não é removida, então como o novo
material vai preencher o volume e não se soltar dentro de pouco tempo?
Outra inconsistência técnica divulgada por alguns fornecedores é que o asfalto ensacado pode ser compactado pelo próprio tráfego. Isto significa que o serviço é precário, sem estar nivelado com o pavimento existente. Resumindo: dinheiro público sendo rasgado através de um serviço muito mal feito.
Outra inconsistência técnica divulgada por alguns fornecedores é que o asfalto ensacado pode ser compactado pelo próprio tráfego. Isto significa que o serviço é precário, sem estar nivelado com o pavimento existente. Resumindo: dinheiro público sendo rasgado através de um serviço muito mal feito.
Aplicação precária e péssima
qualidade final são características comuns no uso de asfalto ensacado para
tapar buracos.
7. CULTURA DO REMENDO “AD
ETERNUM”
A mistura asfáltica tem uma vida útil. Depois que perde sua capacidade flexível, após sofrer um gradual processo de oxidação, passa a sofrer com o surgimento de trincas e fissuras. É preciso então remover totalmente a camada envelhecida e aplicar um novo material. Mas o que fazem as prefeituras? Vão aplicando remendo ao lado de remendo.
Em algum momento o pavimento asfáltico vai entrar em colapso. Em alguns casos o prazo de validade já está tão vencido que basta uns dias de chuva para o pavimento literalmente “se dissolver”. É o famoso asfalto “Sonrisal”. Infelizmente uma realidade muito comum das cidades brasileiras.
A precariedade do asfalto
brasileiro gera piadas e memes na internet.
8. TAPA-BURACO EXECUTADO DE
FORMA ERRADA
A operação tapa-buraco é necessária para consertar a via de forma emergencial. Mesmo em países onde jorra petróleo do solo e dinheiro não é problema, não há como substituir totalmente a camada asfáltica quando surge um único buraco. Ou seja, as operações emergenciais para tapar buracos são realizadas mesmo em países onde a pavimentação é impecável. Só que esta operação deve seguir alguns procedimentos técnicos.
Uma das falhas
mais comuns no tapa-buraco é jogar o material sobre um buraco sem recortar o
mesmo. Ao redor de um buraco existente há inúmeras trincas por onde a água
entra e assim inicia o processo de degradação do pavimento. Ou seja, um novo
buraco pode surgir ao lado do buraco que recém foi tapado.
Outras ocorrências de má-qualidade na execução do tapa-buraco é a falta de pintura de ligação para garantir a aderência da nova mistura asfáltica, o uso de material asfáltico inadequado, a falta de nivelamento com o pavimento existente, falhas ou até mesmo ausência de compactação do novo material, entre outros erros.
Outras ocorrências de má-qualidade na execução do tapa-buraco é a falta de pintura de ligação para garantir a aderência da nova mistura asfáltica, o uso de material asfáltico inadequado, a falta de nivelamento com o pavimento existente, falhas ou até mesmo ausência de compactação do novo material, entre outros erros.
Os buracos devem ser
recortados, preferencialmente através de fresagem. O novo material deve ser
colocado de forma homogênea, compactado e nivelado.
9. DESNIVELAMENTO DE BUEIROS E
TAMPAS DE INSPEÇÃO
Eis aqui um dos maiores problemas da pavimentação urbana brasileira. As prefeituras são totalmente omissas em relação aos desníveis de bueiros e tampas de inspeção nas ruas e avenidas das cidades. Desníveis que podem até mesmo ocasionar acidentes graves.
Em muitas
cidades o asfalto deteriorado sequer é removido, colocando uma nova camada
sobre a capa existente. Porém o bueiro segue na altura anterior, resultando em
um grande e perigoso desnível. Esta diferença na altura da tampa deveria ser
ajustada para o nível do novo pavimento.
Tampas de inspeção e bueiros
desnivelados é um problema muito comum em praticamente todas as cidades do
Brasil.
Vejam como que
se faz a adequação da altura de tampa de inspeção na Alemanha:
10. INTERFERÊNCIAS DAS
COMPANHIAS DE ÁGUA, ESGOTO, GÁS, ETC.
É muito comum pelo Brasil os órgãos municipais de água e esgoto realizarem a escavação em um pavimento relativamente novo para realizar algum conserto ou instalação de tubulação. O problema é que na grande maioria dos casos o acabamento do local que foi trabalhado fica péssimo, com remendos muito mal feitos.
Em geral são
utilizados materiais de baixa qualidade, com misturas asfálticas diferentes do
restante da camada asfáltica da via. Os procedimentos técnicos de aplicação e
compactação são inadequados, muitas vezes realizados de forma precária,
manualmente. Não é incomum permanecer um desnível com o pavimento existente.
Para os
departamentos de água, esgoto, gás, etc, é preciso também fornecer o devido
treinamento, caso estes órgãos venham a executar consertos que exijam a
escavação do pavimento asfáltico e o seu fechamento posterior.
A falta de planejamento e a intervenção de outros
órgãos municipais em uma via pavimentada geram problemas de qualidade no
pavimento
domingo, 17 de março de 2019
Usinas de asfalto: tópicos importantes
Trabalhando desde
2008 no ramo de fabricação e fornecimento de equipamentos de pavimentação me
deparei com inúmeras situações onde representantes de construtoras e
responsáveis técnicos por obras rodoviárias demonstravam falta de conhecimentos
básicos sobre usinas de asfalto, o equipamento mais importante dentro do
processo produtivo da pavimentação asfáltica.
Muitos
detalhes importantes sobre a usina de asfalto ainda são pouco conhecidos. Desta
forma selecionei algumas informações básicas sobre a máquina. São temas que podem
ser muito importantes para empresas que executam obras de pavimentação e que necessitam
de uma usina de asfalto.
1.
Usina em
chassi rodoviário – aumento desnecessário de custo
Praticamente
todos os fabricantes de usinas de asfalto ofertam seus produtos montados sobre
um chassi rodoviário. A vantagem é a mobilidade do equipamento, que pode ser
engatado em um caminhão e facilmente transportado entre uma obra e outra quando
há necessidade de realocação da usina.
Acontece
que na prática ocorre que muitas vezes uma empresa compra a usina de asfalto,
instala em um local e nunca mais movimenta o equipamento. Dependendo do porte
da usina o chassi rodoviário representa um custo adicional de aproximadamente
25% no valor do equipamento por ter uma grande quantidade de aço de alta
resistência. Outro fato comum é quando ocorre há necessidade de transporte e os
pneus foram extraviados ou o engate foi danificado devido à exposição ao calor
e a sujeira natural de um ambiente com muito pó no ar, dificultando a tal fácil
mobilidade.
Realmente
há necessidade de pagar a mais por uma mobilidade que será pouco ou sequer
utilizada? Há muitas situações onde a usina de asfalto é instalada em uma
pedreira e dificilmente será transferida para outro local. Nestes casos é
interessante ver a possibilidade de instalar uma usina fixa com os mesmos
componentes da usina móvel, com pesagem dinâmica dos agregados e produção
contínua. Desta forma ocorre uma redução de custo bastante considerável.
Outra possibilidade também é adquirir uma usina gravimétrica, fixa e de maior custo por ter um sistema diferenciado de dosagem de agregados por peneiramento, com produção descontínua por bateladas. Tudo deve ser definido de acordo com o grau de exigência do produto final e do retorno financeiro do projeto.
Outra possibilidade também é adquirir uma usina gravimétrica, fixa e de maior custo por ter um sistema diferenciado de dosagem de agregados por peneiramento, com produção descontínua por bateladas. Tudo deve ser definido de acordo com o grau de exigência do produto final e do retorno financeiro do projeto.
Usina de asfalto montada sobre chassi rodoviário. Um alto volume de aço é necessário para a fabricação.
Representação de uma usina de asfalto montada sobre
base fixa. Os subconjuntos do equipamento são os mesmos de uma usina sobre
chassi
2.
Usina de
asfalto em contêiner – facilidade na logística de transporte
Alguns
fabricantes de usinas de asfalto do Brasil passaram a ofertar o equipamento
dentro de contêiner, o que já existia no exterior. Assim como em uma usina
sobre chassi rodoviário ou usina montada sobre uma estrutura fixa, os
componentes são basicamente os mesmos (silos dosadores, tambor secador,
misturador, sistema de filtragem e cabine de comando e operação). No entanto o
projeto contempla que todos estes subsistemas da usina sejam transportados
dentro de um contêiner, e no local de instalação sejam posicionados em posição
de operação.
Portanto,
qual a vantagem de adquirir uma usina de asfalto em contêiner? Basicamente
apenas para facilitar o transporte. As usinas em chassi rodoviário requerem uma
série de exigências e burocracias tanto para o fabricante quanto para o cliente
que a compra. Por exemplo, usinas em chassi rodoviário só podem rodar durante o
dia nas rodovias do Brasil. Para os fabricantes o “pepino” é maior ainda porque
cada país tem uma legislação diferente em relação às exigências de cargas por
eixo, dimensões, sinalizações, etc. É preciso praticamente customizar a usina
de acordo com o mercado destino. Já um contêiner basta posicionar em cima de um
caminhão de transporte e seguir viagem. Para transporte marítimo a facilidade é
a mesma.
Embora a
usina em contêiner tenha facilidades logísticas é preciso checar se alguns
modelos não apresentam subdimensionamento de alguns conjuntos, pois é preciso
“apertar” o equipamento para que caiba dentro de um contêiner. Em uma usina
instalada sobre base fixa este problema não existe, pois a área instalada pode
ser maior do que a dimensão de transporte. No contêiner esta flexibilidade é
limitada.
É preciso também verificar se o modelo da usina de acordo com o porte de produção terá um, dois ou três contêineres. Embora o contêiner seja menos burocrático para transportar muitas vezes não vale financeiramente a pena ter que carregar três contêineres (quatro, se contar o tanque de armazenamento de CAP e combustível) em vez de um único chassi rodoviário.
É preciso também verificar se o modelo da usina de acordo com o porte de produção terá um, dois ou três contêineres. Embora o contêiner seja menos burocrático para transportar muitas vezes não vale financeiramente a pena ter que carregar três contêineres (quatro, se contar o tanque de armazenamento de CAP e combustível) em vez de um único chassi rodoviário.
Representação de uma usina de asfalto fabricada dentro
das dimensões de contêineres
Exemplo de usina de asfalto em contêiner, divulgada
pelo fabricante Lintec-Ixon
3.
Usina de
asfalto gravimétrica – risco zero de falhas granulométricas
Como já foi
postado aqui no blog em maio de 2018 (tipos de dosagem e mistura em usina de
asfalto), basicamente há dois tipos de usinas de asfalto quanto ao processo de
dosagem dos materiais: as usinas com pesagem dinâmica dos agregados, através das
diferentes velocidades das correias de cada material utilizado, e as usinas
gravimétricas com separação granulométrica por peneiramento.
No Brasil e
na América Latina a grande maioria das usinas é do tipo com dosagem por pesagem
dinâmica. Uma usina gravimétrica exige maior dimensão do equipamento em função
da torre de peneiramento e mistura, o que resulta em maior custo e sem
mobilidade alguma. Já uma usina com dosagem dinâmica pode ser projetada em uma
área pequena, podendo ser fabricada sobre chassi rodoviário, contêiner ou sobre
uma base fixa de pequena dimensão.
O “calcanhar de aquiles” das usinas por pesagem dinâmica é a contaminação entre silos, o que ocorre muito na prática principalmente em modelos de usinas que tenham silos bipartidos. O material de um silo acaba entrando no silo vizinho, e assim ocorre uma contaminação que pode gerar uma falha na granulometria da mistura asfáltica produzida. Já na usina gravimétrica esta falha não ocorre em função do processo de separação dos materiais que ocorre através da passagem em peneiras. O risco é mínimo de falha granulométrica, que pode ocorrer somente se houver algum desajuste na balança de pesagem dos materiais.
O “calcanhar de aquiles” das usinas por pesagem dinâmica é a contaminação entre silos, o que ocorre muito na prática principalmente em modelos de usinas que tenham silos bipartidos. O material de um silo acaba entrando no silo vizinho, e assim ocorre uma contaminação que pode gerar uma falha na granulometria da mistura asfáltica produzida. Já na usina gravimétrica esta falha não ocorre em função do processo de separação dos materiais que ocorre através da passagem em peneiras. O risco é mínimo de falha granulométrica, que pode ocorrer somente se houver algum desajuste na balança de pesagem dos materiais.
Contaminação dos agregados entre silos é uma
ocorrência muito comum em usinas de asfalto. Não há peneiramento posterior, o
que pode gerar distorções na granulometria da mistura asfáltica produzida.
Com separação granulométrica por peneiras e pesagem
individual de cada agregado para composição da mistura, o risco de falhas
granulométricas em usina do tipo gravimétrica é nulo.
4.
Mistura
interna drum mixer: possibilidade de instalação de misturador externo
No mercado
de usinas de asfalto no Brasil predomina atualmente os modelos com misturador
externo ao tambor secador. No passado praticamente só existiam usinas do tipo drum-mixer, onde o tambor é dividido
entre a área de secagem dos agregados e a área de mistura de agregados com o
CAP (cimento asfáltico de petróleo). Alguns fabricantes seguem fabricando este
tipo de usina, embora a maioria já tenha aposentado esta característica e
migrado para o misturador externo.
Os
fabricantes que seguem produzindo usinas de asfalto com sistema de mistura
interna chamam o sistema de misturador externo rotativo, porém a mistura com
asfalto segue sendo executada dentro do tambor. A grande rejeição a este tipo
de sistema é a exposição do ligante asfáltico às altas temperaturas internas do
tambor de secagem, o que poderia gerar uma oxidação precoce do CAP e assim
reduzir sua vida útil (perda da propriedade elástica, apresentando tendência ao
trincamento). Embora se acredite que isto ocorra não há nenhum estudo
científico aprofundado que comprove, tanto que usinas do tipo drum-mixer seguem sendo fabricadas
também no exterior. No entanto muitos órgãos técnicos e concessionárias de
rodovias rejeitam o uso deste tipo de usina, dando preferencia às usinas com
misturador externo.
Para empresas que possuem usinas deste tipo e não desejam perder algum contrato é possível instalar um misturador externo ao tambor. O compartimento de mistura com o CAP é acoplado junto à saída do tambor para o elevador de transporte ao caminhão, assim dentro do tambor ocorre apenas a secagem dos agregados.
Para empresas que possuem usinas deste tipo e não desejam perder algum contrato é possível instalar um misturador externo ao tambor. O compartimento de mistura com o CAP é acoplado junto à saída do tambor para o elevador de transporte ao caminhão, assim dentro do tambor ocorre apenas a secagem dos agregados.
Tambor drum-mixer: secagem dos agregados e mistura com
o CAP ocorrem ambas dentro do tambor.
Localização do compartimento de mistura de um tambor
drum-mixer.
É possível fazer a adaptação em uma usina com mistura
interna para executar a mistura dos agregados com o CAP em compartimento
externo ao tambor de secagem.
5.
Medidor de
vazão de asfalto: investimento com ótimo retorno financeiro.
Trata-se de
um opcional configurável de uma usina de asfalto que mede a vazão real de CAP
que está sendo injetado na mistura com os agregados. O medidor de vazão é um
dispositivo que checa a quantidade de ligante asfáltico que está passando pela
tubulação de maneira volumétrica, verificando além do fluxo a densidade,
pressão e temperatura. A correção da quantidade de CAP é realizada caso
necessário.
Embora seja
utilizado em cerca de 5% da composição de uma mistura asfáltica, o CAP apresenta
um alto valor no orçamento de uma obra de pavimentação, de aproximadamente 50%
dos custos de produção asfáltica. Então qualquer variação na sua quantidade
resulta em um alto impacto financeiro. Qualquer mudança que ocorra, por mínima
que seja, representa um valor financeiro importante.
Para instalar o medidor de vazão é preciso fazer uma adaptação especial na tubulação que interliga o tanque de armazenamento com o misturador da usina. Nesta adaptação é inserido o medidor, conectado ao sistema de automação do equipamento.
Para instalar o medidor de vazão é preciso fazer uma adaptação especial na tubulação que interliga o tanque de armazenamento com o misturador da usina. Nesta adaptação é inserido o medidor, conectado ao sistema de automação do equipamento.
Diversos estudos comprovam que o custo do asfalto
(ligante asfáltico, o CAP) representa aproximadamente 50% dos custos de
produção de uma mistura asfáltica.
Um medidor de vazão de CAP garante que a proporção do
ligante na mistura terá acuracidade total, evitando distorções que resultam em
perdas financeiras e da qualidade da mistura asfáltica.
6.
Tanques de
armazenamento: configurações e características.
Toda usina
de asfalto necessita de um tanque de armazenamento de ligante asfáltico (CAP – cimento
asfáltico de petróleo) e combustível. Há inúmeros modelos ofertados no mercado,
com uma infinidade de opcionais, o que gera muitas dúvidas no momento da
compra.
O mais
comum é instalar um tanque compartido 40/20, que significa 40 mil litros de
armazenamento de CAP e 20 mil litros de armazenamento do combustível utilizado
na usina, e um sistema de aquecimento para manter o ligante asfáltico na
temperatura ideal. Geralmente os fabricantes já ofertam uma usina saindo de
fábrica com este tanque incluso. E por que esta proporção?
A relação
de consumo de CAP em média é bem superior ao de combustível, a média é uma
relação de 1:10. Em uma produção de 500 toneladas por dia são consumidos 25
toneladas de CAP (considerando o uso de 5% na mistura, a média utilizada). Ou
seja, 25 mil litros, praticamente a metade de um tanque de 40 mil litros. Seria
necessário reabastecer o tanque a cada 2 dias. Se a usina está em um local
distante dos fornecedores o ideal seria instalar outros tanques interligados
que permita uma maior capacidade de armazenamento que permita o trabalho por
mais dias. Geralmente este tanque do tipo 40/20 é insuficiente para altas
produções, sendo necessário o uso de outros tanques. Tudo é questão de calcular
a quantidade que será utilizada em determinada obra, porém são poucas empresas
e profissionais que conhecem a forma de realizar este cálculo.
Já o
consumo de combustível depende de diversos fatores tais como o modelo da usina,
tipo de combustível utilizado, alta umidade dos agregados (o que aumenta o
consumo), etc. Considerando um consumo médio de 5 litros por tonelada
produzida, então com produção de 500 toneladas por dia são consumidos 2.500
litros de combustível. Em um tanque com capacidade para armazenar 20 mil litros
de combustível é possível realizar o abastecimento somente depois de muitos
dias. Ao contrário do armazenamento de CAP, o reservatório para combustível
está muito bem dimensionado neste tanque do tipo 40/20.
Estão
disponíveis também tanques de maior capacidade, com 60 mil litros para CAP e 20
mil litros de combustível. Este tipo de tanque geralmente tem o compartimento
de CAP bipartido em dois reservatórios de 30 mil litros, o que permite
armazenar CAP convencional e também um ligante asfáltico modificado no mesmo
tanque. Há também tanques ainda maiores, com capacidade de 100 mil litros.
Os
opcionais para tanques costumam ser também motivos de dúvidas. Por exemplo,
agitadores podem ser utilizados para manter o ligante asfáltico homogêneo,
principalmente quando se utiliza asfalto modificado.
Representação de um tanque do tipo 40-20, um dos mais
utilizados em usinas de asfalto.
Representação de um tanque do tipo 30-30-20, que
permite armazenar dois tipos diferentes de ligante asfáltico (CAP).
Agitador instalado dentro de um tanque de
armazenamento de ligante asfáltico.
7.
Instalação
de um módulo de pré-misturado a frio na usina de asfalto
Um opcional
que pode se tornar bastante útil é o módulo adicional que permite a produção de
misturas a frio para camadas de base utilizando a própria usina de asfalto.
Este módulo é simplesmente um conjunto com correia transportadora e um
misturador acoplado junto às correias dosadoras da usina, cujo sentido de giro
é invertido. O material em vez de seguir para o tambor de secagem é
transportado para o lado oposto, em direção ao módulo. Para isto é preciso
verificar a automação da usina, e fazer o ajuste caso necessário.
Em obras de
alta produção o ideal é ter uma usina de pré-misturado a frio, conhecido também
como usina de solos, para produzir estas misturas para base. Já em casos de
menor produção onde a usina de asfalto não opera 100% do tempo é interessante
utilizar o mesmo equipamento para produzir misturas asfálticas a quente e
também misturas a frio tais como BGS (brita graduada simples), BGTC (brita
graduada com cimento), entre outras misturas. No caso do BGTC é preciso
instalar também um silo de cimento junto ao misturador do módulo.
Ilustração do módulo de pré-misturado a frio acoplado
em uma usina de asfalto.
Foto de um módulo de mistura à frio instalado em usina
de asfalto.
8.
Utilização
de silo de armazenamento de massa asfáltica
Em usinas
do tipo produção contínua, as mais comuns e em grande quantidade pelo Brasil,
há necessidade de ter caminhões de transporte durante todo o tempo de produção.
No momento que há falta de caminhão é preciso interromper a produção, o que
gera perdas de materiais e prejuízos financeiros. Isto não ocorre nas usinas
gravimétricas (com produção descontínua) que representam menos de 10% das
usinas de asfalto existentes no Brasil.
Uma solução
para evitar transtornos por falta de caminhões de transporte é a instalação de
um silo de armazenamento de massa asfáltica. É um módulo opcional configurável
de fácil acoplamento na usina de asfalto, permitindo o armazenamento da mistura
asfáltica produzida em temperatura adequada.
Outra
vantagem do uso deste módulo é utilizar a usina menos horas por dia, quando possível.
Uma usina de asfalto muitas vezes opera abaixo de sua produção máxima, durante
várias horas por dia. Há um custo operacional em manter a usina em
funcionamento, mesmo em produções menores o queimador está consumindo
combustível. É possível verificar a possibilidade, de acordo com a demanda de
produção necessária, em operar a usina em sua produção máxima durante poucas
horas do dia e deixar o material produzido armazenado dentro do silo.
Detalhes do silo de armazenamento de massa asfáltica
Caminhão recebendo o material do silo de armazenamento
de massa asfáltica instalado em uma usina.
9.
Filtro de
mangas – o pulmão da usina
Para secar
e aquecer os agregados com o objetivo de permitir a mistura destes insumos com
o cimento asfáltico (CAP) é preciso utilizar uma chama para gerar a energia
térmica suficiente para executar a função. Basicamente é acender um fogo e
gerar calor. Só que esta queima gera consequências. Além de emitir gases tóxicos,
ainda ocorre o arraste de materiais finos presentes junto às britas e
pó-de-pedra. Uma usina de asfalto sem um sistema de filtragem gera uma fumaça
negra para a atmosfera, o que não é permitido pelos órgãos ambientais.
As usinas
de asfalto mais antigas utilizavam um processo de filtragem conhecido como via
úmida, que é simplesmente o espargimento de água contra o material particulado
em suspensão pelos gases. Estes materiais em contato com a água aumentam de
peso e volume em forma de lodo, que é transportado a um tanque de decantação. O
problema deste processo é o passivo ambiental criado. O lodo acumulado não apresenta
serventia alguma e ainda necessita de uma grande área para a sua deposição. Este
método acabou sendo substituído por processos mais eficientes e limpos, com
reaproveitamento do material fino em suspensão que até então não havia como
redirecionar para a produção da mistura asfáltica.
O filtro de
mangas foi então desenvolvido para receber os gases de exaustão sem danos
ambientais e também possibilitar a recuperação dos finos em suspensão pelos
gases gerados na combustão do queimador. No tambor de secagem há uma câmara de
aspiração por onde os gases são transportados para uma tubulação de exaustão em
direção ao filtro, localizado na parte traseira da usina. Dentro do filtro há
um conjunto de mangas (material que lembra um tipo de tecido) que absorvem os
gases e os finos em suspensão. As mangas são posicionadas em uma espécie de
gaiola em formato cilíndrico. Os materiais aderidos na manga são recuperados
através da injeção de ar gerada pela parte superior, caindo na parte inferior
do filtro e sendo transportados através de transportadores helicoidais até o
misturador.
As usinas
de asfalto mais antigas geralmente apresentam filtros com problemas de
dimensionamento, muitas vezes se tornando um gargalo na produção asfáltica. Ao
longo do tempo os fabricantes foram aprimorando tecnicamente o filtro. As
mangas inicialmente eram lisas, o que requeria uma área grande para suprir a
demanda da usina. Alguns fabricantes migraram para as mangas plissadas, em
formato sanfonado, com área filtrante cinco vezes superior a de uma manga lisa,
o que consequentemente permite diminuir as dimensões do filtro. Uma grande área
de filtragem garante produção constante, pois a exaustão permanece estável. Um
filtro eficiente e bem dimensionado é como um pulmão que permite o pleno
funcionamento do equipamento.
Outro
problema bastante comum é a falha na temperatura do filtro. Quando está abaixo
de 100°C ocorre uma condensação interna, o que prejudica o processo de
exaustão. Já em temperaturas elevadas pode ocorrer danos nas mangas, cujo
material não resiste a temperaturas muito elevadas. Em filtros mais antigos é
difícil executar o controle da temperatura, que pode variar em função de
variação da umidade dos agregados. Esta é uma falha de aplicação muito comum
pelo Brasil, quando britas com alta umidade são inseridas na usina, gerando
muito vapor que segue para o filtro e aumenta sua temperatura interna. O ideal
é que os agregados tenham no máximo 3% de umidade. Até 6% de umidade ainda é
possível utilizar, embora a produção seja reduzida. Acima disto pode ocorrer
danos ao filtro.
Portando se uma usina antiga apresenta problemas em função do filtro é possível fazer uma atualização (retrofit) trocando somente o filtro, melhorando consideravelmente o funcionamento da máquina.
Portando se uma usina antiga apresenta problemas em função do filtro é possível fazer uma atualização (retrofit) trocando somente o filtro, melhorando consideravelmente o funcionamento da máquina.
Representação do sistema de filtragem de uma usina de
asfalto
Mangas
plissadas, com maior área de absorção, devido a sua característica sanfonada
Mundialmente é discutida a questão do filtro de mangas
mal dimensionado prejudicar a produção
10.
Fornecimento
de energia elétrica – fundamental para o bom funcionamento
Uma usina
de asfalto é um equipamento sofisticado, praticamente uma pequena fábrica. Para
o seu funcionamento é preciso o uso de componentes elétricos e de automação.
Portanto uma usina necessita de fornecimento de energia elétrica de boa
qualidade.
Há duas
opções para o fornecimento elétrico. Por meio de subestação (transformador)
conectada à rede concessionária ou por meio de gerador de energia. Para ambos é
necessário cumprir com a demanda do consumo de energia, cujo valor total é
informado por meio de uma tabela de cargas. Esta tabela depende da configuração
da usina. A recomendação é que seja utilizado transformador ou gerador com
potência superior a 20% à carga instalada da usina.
Embora seja
um pré-requisito básico ainda há muitos problemas que surgem em função de más
condições de energia. Variações de tensão podem comprometer o funcionamento da
máquina, gerando problemas de produção e de qualidade da mistura asfáltica
produzida. A energia fornecida precisa estar isenta de qualquer distúrbio que
afete a sua qualidade, garantindo um funcionamento ininterrupto da usina.
Para
garantir um bom funcionamento e segurança existem alguns sistemas de proteção
contra distúrbios da rede elétrica. Por exemplo, um supervisor de tensão
monitora possíveis variações da rede, indicando as falhas e executando o
desligamento da usina por questão de segurança. Um banco de capacitores atenua
distorções harmônicas, diminuindo o consumo de energia. Se uma usina antiga não
possui estes dispositivos é possível realizar a instalação, atualizando assim o
equipamento. Mesmo com todos estes dispositivos a recomendação é utilizar um
gerador em locais com falhas frequentes no fornecimento de energia.
Todos os
componentes elétricos de uma usina estão localizados em um quadro de força
climatizado com ar condicionado, geralmente utilizando o mesmo aparelho que
climatiza a cabine de operação. É muito importante realizar a manutenção
preventiva, verificando periodicamente se todos os cabos estão bem conectados
nos bornes do quadro de força, que servem de interligação para alimentar os
motores da usina. Isto evita que ocorra falta de uma das fases da tensão, o que
poderia resultar em aquecimento de motores e condutores.
Uma usina de asfalto precisa de energia elétrica para
o seu funcionamento
Exemplo de lista de cargas de uma usina, que depende
de sua configuração e deve ser fornecida pelo fabricante
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