domingo, 30 de junho de 2013

Comparativo: obras na Alemanha e no Brasil


Tive algumas oportunidades de visitar obras rodoviárias na Alemanha, país conhecido por ter rodovias entre as melhores do mundo. Em algumas delas, as famosas Autobahn, em determinados trechos não há limite de velocidade e é comum ver carros esportivos “passeando” a 300 km/h. O projeto em certos locais foi feito em linha reta, com três ou quatro faixas em cada pista, onde é permitida tal velocidade. O pavimento não apresenta nenhuma imperfeição e há barreiras de segurança em toda a sua extensão. E claro, os carros alemães também são os melhores do mundo.
Alguns cuidados tomados durante a etapa de execução das obras não são difíceis de serem implementadas em um país como o Brasil. Se um dia tivemos a capacidade técnica de executar obras do porte da Usina Hidrelétrica de Itaipú e da Ponte Rio-Niterói, podemos também construir rodovias de qualidade.
Em agosto de 2011 visitei uma obra de restauração rodoviária próxima a cidade de Ludwigshafen. Um local de tráfego intenso e pesado, cujo projeto de manutenção previa a fresagem do pavimento em poucos centímetros com aplicação de uma nova camada asfáltica. Diversos pequenos detalhes me chamaram a atenção, os quais estão detalhados um a um abaixo:

1)      Alimentador de Asfalto: um equipamento bastante importante para uma pavimentação de qualidade em obras rodoviárias de maior porte, como uma duplicação de rodovia. O alimentador recebe o concreto asfáltico descarregado pelo caminhão e o transfere para a vibroacabadora de asfalto. As principais funções do alimentador é manter uma constante alimentação do asfalto e evitar choques do caminhão com a vibroacabadora, estes que acabam danificando equipamento e provocando erros de execução na pavimentação.  Um silo de maior capacidade pode receber toda a descarga de um caminhão. Já a vibroacabadora não possui espaço físico para tal, assim o caminhão acaba basculhando aos poucos o material para a máquina. No Brasil ainda não há a utilização deste equipamento e é muito comum falhas de execução em função de choques de caminhão com a vibroacabadora.

 
 
 

2)     A aplicação do asfalto utilizava sistema de nivelamento eletrônico por sensor ultrassônico. Este tipo de nivelamento é bastante simples e já é utilizado no Brasil em muitas obras. A pista a ser pavimentada deve ter como referência a faixa já existente. Assim, no painel do sistema de nivelamento, é selecionado o caimento ou a porcentagem de inclinação que a mesa compactadora deve seguir durante a pavimentação. O sensor ultrassônico apresenta como vantagem em relação aos sistemas de nivelamento mecânico por esqui o fato de não sofrer atritos, assim possui maior vida útil.
 
 
 
 
3) A qualidade e o ótimo acabamento após a aplicação na pista é claro e visível.
 
 

4)      Na compactação asfáltica, os operadores dos rolos mudavam de faixa na parte quente (próximo a vibroacabadora de asfalto) deixando marcas no asfalto. O correto é trocar de faixa o quanto mais distante da vibroacabadora. Mas não é um erro tão grave e na sequência os riscos já eram “apagados” com as passadas paralelas dos compactadores.
 
 

5)      Bastante interessante os cuidados em relação aos bueiros da rodovia. Estes eram sinalizados antes da aplicação do asfalto. Colocava-se uma tampa metálica sobre o bueiro e após a pavimentação era feita a retirada da tampa e a limpeza.
 
 
 
 

6)      Os tradicionais rasteleiros existem até na Alemanha. Mas em menor número. Com o uso do sistema de nivelamento, praticamente não há material sendo despejado além do limite da largura pavimentada.
 
 

7)      Durante o trabalho de recuperação do pavimento, foram posicionadas faixas de sinalização temporárias. Uma simples fita que após os trabalhos é facilmente removida. Enquanto que no Brasil costuma-se pintar faixas temporárias, que depois são mal apagadas, resultando em um serviço “porco” e mal feito. Muito mais simples aplicar estes tipos de fita, não?!
 
 
 
 

8)      O cuidado em relação a segurança também é grande. Todos os funcionários e visitantes precisam vestir um colete de sinalização. O funcionário responsável pela aplicação no trecho, uma espécie de encarregado, orienta que não devemos caminhar por fora da área circulada e que a travessia da pista deve ser feita em fila indiana, pessoa por pessoa. É passada também a ordem de nunca nos atravessarmos em frente aos rolos compactadores, ficando permitido apenas a aproximação lateral. Os carros das empresas que trabalham no trecho também são identificados com imãs reflexivos removíveis.
 
9)      Pra finalizar, outro detalhe técnico me chamou a atenção. Estacionamos o carro em uma pequena ruela que terminava em uma via secundária de acesso a rodovia principal. Mesmo sendo um caminho de baixíssimo tráfego, de acesso a uma área rural, havia asfaltamento. No entanto, a composição de agregados na mistura é de seixo rolado. Pedras arredondadas encontradas em rios, e que não são recomendadas para a utilização em pavimentação asfáltica por não terem cantos quebradiços que favorecem a aglutinação da mistura. Porém, por se tratar de uma ruela em um local sem tráfego, tornou-se uma solução mais barata para a aplicação do asfalto. O processo de britagem de agregados envolve custos, e utilizar um material proveniente da natureza é obviamente mais econômico. Por ser uma via sem previsão de tráfego pesado e intenso, tornou-se uma solução barata para dar fim ao barro.
 
 
 
 
 

 
 
 

 

 
 
 
 

 

 
 
 

 
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Compactação de Solos e Base



Compactação é o preenchimento dos espaços (vazios) de uma camada, através do adensamento do solo, com aumento de capacidade de suporte do mesmo. Se a compactação não for bem executada, todas as camadas construídas acima podem ser comprometidas com futuros afundamentos e deformações do subleito.
Os rolos compactadores vibratórios são os equipamentos que executam este trabalho. O sistema vibratório é acionado através do giro em alta velocidade de um peso excêntrico, localizado no eixo central do cilindro, cuja rotação faz com que o cilindro execute movimentos de subida e descida com impacto no solo. A altura que o cilindro atinge desde o solo é denominada Amplitude de Vibração, medido em milímetros. A quantidade de impactos por segundo com que o cilindro golpeia o solo é chamado de Frequência de Vibração, medido em Hertz. 

 
A compactação por sistema vibratório apresenta vantagens em relação a compactação estática, que é executada pela ação do peso do equipamento. Já a vibração potencializa a força aplicada em até duas vezes e meia o peso operacional do compactador. As ondas de choques geradas provocam vibrações que reduzem o atrito interno entre as partículas do solo, assim facilitando a compactação.
 
Etapa inicial do processo construtivo de rodovias, a compactação das primeiras camadas da estrutura do futuro pavimento rodoviário é fundamental ter uma boa execução. Porém costuma não receber a devida importância, sem ter o mesmo controle de execução em relação às demais etapas do processo construtivo. É bastante comum que não haja o devido treinamento, acompanhamento e conferência do trabalho executado pelo operador do rolo. A cultura nas obras pelo Brasil é simplesmente “andar pra frente e pra trás”. Normalmente, o rolo é a primeira máquina que um trabalhador de obra opera. Geralmente sem orientação adequada.
O planejamento da execução da compactação também é falha em grande parte das obras pelo país. O ideal é que se faça um estudo do tipo de solo, a escolha de um modelo de rolo compactador ideal, o uso do cilindro correto (liso ou pata) e testes experimentais do número de passadas. O fenômeno da supercompactação (chamado também de sobrecompactação), que é o número de passadas em excesso, geralmente é desconhecido.
Os solos basicamente são divididos em dois grupos principais: coesivos e granulares (não-coesivos). Um solo é considerado coesivo quando mais de 35% de seu material é passante na peneira 200 (#200), que tem abertura de malha de 0,074 mm. Argila e Silte são os solos coesivos mais comuns no Brasil. Já um solo é classificado como granular quando menos de 35% do material passa na mesma peneira 200. Como exemplo, temos a Areia, Cascalhos, Britas, etc. O solo granular apresenta drenagem livre. Já o solo coesivo apresenta retenção de água.
 
Em determinadas regiões, em épocas de chuva, as obras simplesmente são interrompidas pelo excesso de umidade do solo. Esta é uma grande dificuldade das obras no Brasil, um país de solo predominantemente coesivo. Para possibilitar a compactação, é preciso que o solo esteja próximo de sua umidade ótima. Ou seja, nem muito seco, nem muito úmido. Se estiver muito seco, o atrito entre as partículas internas agem como forças contrárias ao adensamento do solo. Para isto, é necessário que haja umidade em pequena quantidade para “lubrificar” estes atritos internos e favorecer a compactação. Mas se o solo estiver com excesso de umidade, a presença de água em excesso nos vazios entre as partículas também age como uma força contrária à compactação.
 
O rolo compactador pode ser configurado com cilindro liso ou cilindro corrugado, chamado também de rolo pata ou pé-de-carneiro. O cilindro liso é destinado aos solos granulares, enquanto o cilindro pata é destinado aos solos coesivos, cuja função é aumentar a área de contato com o solo, potencializando a quebra da coesão entre as micropartículas e favorecendo a evaporação da água retida neste tipo de solo. Com uma menor umidade, o solo pode ser compactado. Se o solo coesivo estiver úmido, o efeito da passada do rolo compactador será como a de uma borracha, pois o solo deforma e volta ao seu volume original.
 
Muitos erros de execução são cometidos na etapa de terraplenagem. Os mais comuns são as passadas em excesso e a velocidade inadequada do rolo.  Se há passadas em demasia, o solo pode começar a desagregar. Após atingir sua densidade máxima, o excesso de forças aplicado ao solo provoca o efeito da sobrecompactação. Rachaduras, trincas e fissuras começam a surgir e provocar o efeito contrário a compactação. Já a velocidade inadequada de compactação, esta pode ser para menos ou para mais. Se a velocidade for baixa, os impactos da vibração do cilindro se sobrepõem uma as outras. Se a velocidade for alta, estes impactos não são aplicados de forma contínua no solo, com espaços sem receber a vibração. A velocidade ideal de compactação é de aproximadamente 4 km/h.
 
É muito comum encontrar nas obras rolos compactadores velhos e em mau estado de conservação. As tecnologias existentes nos rolos atuais são menosprezadas, embora sejam projetadas justamente para otimizar o trabalho de compactação. Como exemplo, os compactadores HAMM apresentam sistema de frequência e amplitude de vibração que se adapta ao tipo de solo (granular ou coesivo), controle de tração para trabalho em trechos íngremes e dispositivos que orientam o operador quanto aos parâmetros de compactação, como velocímetro e sensor para rolos lisos que detecta e informa o operador quanto ao preenchimento dos vazios do solo.

 


sábado, 30 de março de 2013

Compactação Asfáltica


Uma pavimentação asfáltica de qualidade envolve em seu processo cuidados específicos com diversos fatores, tais como o tipo da mistura asfáltica, a curva de distribuição dos agregados, as condições climáticas durante a execução, entre outros. As etapas com maior suscetibilidade de erros são as execuções da pavimentação, pela operação da vibroacabadora de asfalto, e da compactação asfáltica, pela operação dos rolos compactadores. Neste tópico abordaremos a última etapa, que é a mais negligenciada e que pode comprometer todas as etapas anteriores mesmo que elas tenham sido bem executadas.
A compactação do concreto asfáltico é iniciada pela própria vibroacabadora de asfalto, que já pré-compacta o material através do sistema de placas vibratórias aquecidas. Os modelos de maior porte possuem também o tamper, que é um dispositivo de subida e descida a frente das placas vibratórias para auxiliar a pavimentadora no trabalho de pré-compactação e nivelamento do material asfáltico.
No entanto, são os rolos compactadores que possuem a atribuição de compactar a camada pavimentada. Alguns procedimentos básicos na operação precisam ser seguidos:
1)     Faixas de Compactação do Rolo:
A largura do cilindro do rolo compactador é inferior a largura de pavimentação da vibroacabadora de asfalto. Portanto, é necessário compactar em diferentes faixas. A execução deve ocorrer da seguinte forma:
·        Deve existir uma sobreposição entre as faixas de compactação, de 15 a 20 cm, evitando que haja partes não compactadas; 
·        Antes de mudar de direção, o cilindro deve ser levemente inclinado em relação à faixa compactada; 
·        As mudanças de faixas SEMPRE devem ser feitas na parte mais FRIA do asfalto. Ou seja, distante da vibroacabadora.
 
2)     Compactação em pavimentação sem contenção lateral:
Quando não há contenção lateral, tais como meio-fio de calçadas, o processo deve ser executado da seguinte forma:
·       A primeira passada de compactação (faixa número 1) deve ser iniciada a uma distância de aproximadamente 20 cm da lateral. Se a compactação for executada inicialmente junto a borda, ocorre o desalinhamento da mesma;
·       Nas faixas 2 e 3 a compactação é realizada de forma que cada faixa compactada tenha a sobreposição padrão (15 a 20 cm) uma em relação à outra;
·       Por fim, as duas pequenas faixas nas extremidades são compactadas (faixas 4 e 5).
 
3)     Compactação em pavimentação com contenções laterais:
Ocorre quando a pavimentação é executada entre calçadas e outras formas de contenção lateral.
 
A forma de executar é mais simples. A primeira passada do rolo (faixa 1) inicia na borda, junto à contenção lateral. O restante é compactado em faixas laterais sobrepostas até chegar à outra lateral.
 
4)     Compactação em pavimentação de faixas quente/fria:
A maioria das aplicações no Brasil se enquadra nesta classificação. A cultura de não utilizar pavimentadoras de maior porte faz com que seja necessário executar a pavimentação asfáltica em duas ou mais passadas. Isto ocorre quando a largura de pavimentação da máquina é inferior à largura da via.
 
 
Executadas em momentos diferentes, a primeira camada já estará resfriada no momento em que for aplicada a segunda. Portanto, alguns cuidados precisam ser seguidos:
·        A primeira passada (faixa 1) deve ser executada com 80% da largura do cilindro sobre a camada fria, e no máximo 20 cm sobre a camada quente; 
·        A segunda passada (faixa 2) deve ser executada com metade do cilindro sobre a camada fria e metade sobre o asfalto quente; 
·        IMPORTANTE: quando o cilindro estiver em contato com a camada fria (faixas 1 e 2), não deve ser utilizado o modo vibratório. O rolo deve operar nessas duas primeiras faixas em modo estático, pois a ação vibratória danifica a camada resfriada e também o próprio cilindro do equipamento; 
·        Na sequência, o rolo deve ser posicionado até a extremidade oposta (faixa 3) e respectivamente se deslocar até o centro (faixas 4 e 5).
 
5)     Compactação em pavimentação dupla:
Embora não seja comum no Brasil, este processo é utilizado largamente em países europeus onde se busca maior velocidade de execução das obras.
 


Quando duas vibroacabadoras de asfalto trabalham lado a lado e considerando que haja contenções laterais, a execução deve ocorrer da seguinte forma:
·        Iniciar a compactação pelas bordas, junto às contenções (faixa 1);
·        Os rolos são posicionados em uma nova faixa, em direção ao centro da pavimentação (faixas 2), obedecendo a sobreposição padrão de 15 a 20 cm;
·        Por fim, a última faixa (3) é compactada ao centro.
 
Além das recomendações mostradas, é preciso seguir mais alguns procedimentos básicos para uma ótima execução da compactação asfáltica:

·        Compactar sempre o mais próximo da vibroacabadora, desde que a temperatura do material não esteja acima de 145 °C;
·        Desligar a vibração antes de mudar de direção ou de parar o rolo;
·        Manobras sempre com movimentos suaves;
·        Ida e volta sempre pela mesma faixa, em linha reta;
·        Verificar o sistema de espargimento de água e os raspadores, para evitar a aderência de material asfáltico no cilindro do rolo;
·        Nunca deixar o rolo parado sobre o asfalto quente.

 
 
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Brazil Road Expo 2013



O grupo Wirtgen estará presente na Brazil Road Expo 2013, entre os dias 19 e 21 de março em São Paulo. O estande terá 460 m² e contará com nove equipamentos expostos: uma usina de asfalto, uma pavimentadora de asfalto de pequeno porte, uma fresadora de asfalto, uma recicladora e cinco modelos de rolos compactadores.
De equipamentos para pavimentação asfáltica, será apresentada a usina de asfalto modelo UACF Inova 1200 P1, da nova geração de usinas móveis da Ciber. O equipamento produz até 120 toneladas por hora, é de chassi único e apresenta uma série de avanços tais como maior área dedicada para secagem de agregados, área dedicada para mistura a seco antes da adição do CAP, utilização de material fresado (RAP) e monitoramento remoto, entre outros. Também estará em exposição o modelo de vibroacabadora de pequeno porte Vögele Super 700. Destinada a pequenas pavimentações, possui largura de pavimentação de 0,5 m até 3,2 metros com 15 centímetros de espessura máxima.
Da linha de equipamentos para manutenção e recuperação asfáltica serão apresentados os modelos W 100 de fresadora de asfalto, de fabricação nacional, e a novíssima WR 240, lançamento recente da Wirtgen em máquinas recicladoras e estabilizadoras, que traz uma série de avanços tecnológicos que garantem uma fácil operação, qualidade total na homogeneização do material e adaptação a diferentes tipos de solos e terrenos.
Da linha de rolos compactadores da Hamm, empresa do grupo Wirtgen que se dedica exclusivamente a fabricação e desenvolvimento de tecnologias de compactação, serão expostos os modelos 3411P e 3307 para terraplenagem. Estes compactadores, respectivamente de 11 e 7 toneladas, apresentam tração de fábrica, dupla frequência e amplitude de vibração para alta eficiência de compactação em solos coesivos e granulares, além do ponto triplo de articulação que garante amortecimento de choques, distribuição igual de peso no eixo traseiro, estabilidade direcional e segurança contra tombamento.
Já na linha para compactação asfáltica, serão apresentados três modelos: o rolo de duplo cilindro tandem vibratório HD 75, de 7.500 kg de peso operacional, e o rolo combinado HD 14 VT, de 4 toneladas, cilindro vibratório dianteiro e pneus no eixo traseiro. Estará em exposição também o modelo de pneus GRW 280, o mais moderno e com design mais arrojado da categoria com sistema de controle de pressão dos pneus, fácil lastreamento e dotado de oito pneus, garantindo igual distribuição de peso sobre o material asfáltico.
 
 
Na manhã do dia 21/3 faremos palestras técnicas sobre tecnologias de pavimentação. Meu colega Marcelo Zubaran, um dos maiores especialistas em usinas de asfalto e produção de misturas asfálticas do país, apresentará a palestra “Produção de Misturas Asfálticas Sustentáveis”. Zubaran participou ativamente no desenvolvimento da tecnologia de utilização de material fresado em misturas asfálticas a quente e na aplicação de asfalto morno espumado (Warm Mix Asphalt) em usinas de asfalto fabricadas no Brasil, os quais serão abordados em sua palestra. Estas aplicações já foram utilizadas em obras experimentais no Brasil, cumprindo todos os parâmetros técnicos e de qualidade exigidos. A utilização de material fresado em usinas já foi postado aqui no Blog.
Na sequência, eu abordarei dois temas. O primeiro será “Pavimentação e Compactação Asfáltica”, ressaltando as premissas básicas e os cuidados necessários para uma correta aplicação do material asfáltico na pista. Muitos defeitos nos pavimentos são originados pela má aplicação do concreto asfáltico pela vibroacabadora (pavimentadora) e por erros básicos na passagem dos rolos compactadores de asfalto. Uma série de procedimentos básicos e pequenos cuidados na operação dos equipamentos garantem uma pavimentação de qualidade.

 
A última palestra terá o tema “Métodos de Reciclagem de Asfalto”, abordando as tecnologias desenvolvidas pelo grupo Wirtgen para reciclagem a frio e a quente que hoje são largamente utilizadas em todo o mundo. Em reciclagem a frio, o uso das recicladoras em recuperação estrutural de pavimentos asfálticos, podendo aplicar cal, cimento ou espuma de asfalto. Também há a opção de uma usina de reciclagem a frio, quando houver grandes quantidades de material fresado e de materiais provenientes da demolição da construção civil (RCD), para a produção de camadas de ligação (binder) em pavimentos. Já em reciclagem a quente se utiliza material fresado (RAP) em usinas de asfalto. Todos os métodos de reciclagem garantem rapidez de execução e redução de custos da obra, além de ser ecologicamente correto ao dar uma boa finalidade para materiais que acabariam sendo descartados.
Compareçam a Brazil Road Expo para bater um papo com a gente!

 


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cuidados na Pavimentação


Serviços de construção, manutenção e reabilitação viária, este último também conhecido como recapeamento ou recapagem, são essenciais para melhorar a qualidade de vida da população. No entanto, precisam ser realizadas da maneira correta.
As estradas, ruas e avenidas sofrem um processo natural de envelhecimento e desgaste. A deterioração de pavimentos asfálticos geram transtornos a população. Para solucioná-las, muitas vezes são executados serviços sem planejamento técnico adequado, de resultado final ruim que gera retrabalho e prejuízos financeiros.
É preciso repensar a forma com quem as obras de pavimentação e recapeamento são realizadas em todo o Brasil. É imprescindível que o serviço seja de qualidade, tanto no projeto quanto na execução.
Muitos cuidados precisam ser tomados em todas as etapas construtivas. Selecionei alguns problemas que vivenciei como engenheiro de aplicação e que são bastante comuns em obras de pavimentação pelo Brasil:
1.      Compactação de base: etapa em que omissões e falta de cuidados são frequentes e notórios. Uma compactação mal executada pode resultar em afundamentos que danificam as camadas acima. A capacidade de suporte precisa ser adequada à carga que será recebida. Na execução, os erros comuns são compactar com excesso de umidade e a sobrecompactação, conhecida também como supercompactação, que é o excesso de passadas do rolo compactador. Isto faz com que o solo, quando já está compactado e com todos os quase todos os seus vazios já preenchidos, sofra o processo de descompactação pela continuidade do impacto do cilindro vibratório.

2.      Produção do concreto asfáltico: o material asfáltico produzido precisa ser homogêneo e com os agregados totalmente cobertos pelo ligante asfáltico (CAP). Os cuidados precisam ser tomados desde a alimentação dos agregados. Estes devem estar com pouca umidade, pois o excesso diminui a produção da usina. O agregado com umidade acima do tolerado também afeta a mistura com o ligante asfáltico (CAP), resultando em massa de má qualidade, apresentando bolhas oriundas da evaporação que provocam o surgimento de cavidades internas. O sistema de dosagem da usina precisa também ser extremamente preciso para que não haja distorções no traço da mistura. Recomenda-se que o sistema de secagem e mistura da usina de asfalto seja o mais eficiente possível.

3.      Mesa compactadora desregulada: ao iniciar a pavimentação, a vibroacabadora precisa estar com sua mesa compactadora regulada. É imprescindível que a mesma já esteja aquecida, pois em temperatura mais baixas o asfalto acaba aderindo a suas chapas alisadoras, provocando arrastamento do asfalto e segregação do material. A abertura da extensão hidráulica precisa ser regulada, de modo que não deixe marcas no asfalto e que não haja diferenças de inclinação. A foto abaixo mostra um exemplo de falta de regulagem na abertura hidráulica da mesa, com um risco na junção da parte da mesa fixa com a parte aberta, em ambos os lados. Também há segregação de material na parte central.

4.      Falta de nivelamento na pavimentação: queixa mais comum da população e dos leigos em pavimentação em geral. Quem nunca trafegou por uma rua totalmente desnivelada ou cheia de ondulações que provocam desconforto e perigo para os condutores? Geralmente ocorrem por má-execução da pavimentação. As pavimentadoras (vibroacabadoras) de asfalto possuem sistemas de nivelamento de simples uso e baixo custo. Porque não são utilizadas? Porque não se exige, principalmente em pavimentação urbana, cujos serviços são na maior parte das vezes realizados “na coxa” e com fiscalização deficiente.

Abaixo, um exemplo de sistema de nivelamento utilizado. O esqui mecânico faz a cópia da referência na pista já pavimentada e automaticamente mantém a mesa compactadora com os mesmos parâmetros de inclinação.

 

5.      Espessura adequada da camada asfáltica: Problema que ocorre principalmente em pavimentação urbana. Espessura fina em trechos de tráfego pesado, assim como camadas espessas em locais de baixo tráfego. As camadas de base precisam também ter a espessura adequada, para a correta transferência das cargas do tráfego.

A contratação de consultoria especializada para o correto dimensionamento pode evitar futuros retrabalhos e desperdício de verba pública. Em grandes cidades, o ideal é que vias de tráfego pesado intenso, corredores de ônibus e sistemas de BRT sejam de pavimentos de concreto, de grande durabilidade e maior vida útil.
 

6.      Compactação asfáltica: é a etapa em que muitos erros de aplicação ocorrem. São tantos e inúmeros os erros cometidos que irei escrever um tópico a parte. Entre os principais, o acionamento do sistema vibratório do cilindro na junta da faixa quente com a faixa fria, ocasionando quebra dos agregados do asfalto já frio. A foto abaixo mostra como fica um pavimento asfáltico com agregados da mistura triturados do lado esquerdo da junta entre as faixas pavimentadas.

 

O controle da temperatura do asfalto é muito importante, pois não deve ser utilizada a compactação vibratória com temperatura inferior a 100°C. Se a temperatura estiver próxima, o recomendado é que se passe somente o rolo de pneus.
 

7.     Fresagem do pavimento deteriorado: o recomendado é que seja avaliada a condição do pavimento. Em muitos casos uma simples fresagem da camada deteriorada é o suficiente. Porém, em outros casos o nível de degradação é tão alto que as camadas de base estão igualmente comprometidas. Dessa forma, é preciso uma intervenção de reciclagem do pavimento. Atualmente há diversas soluções técnicas para a reabilitação asfáltica, tais como a reciclagem a frio in-situ com a utilização de máquinas recicladoras. Outra solução é a reutilização de material fresado em usina para a produção de concreto asfáltico a quente (CBUQ).

Um erro comum é pavimentar uma nova camada sobre o asfalto degragado. As trincas e rachaduras se propagam para a nova camada, cuja vida útil acaba sendo bastante encurtada.

 
 
8.      Compatibilidade com obras de drenagem e saneamento: é preciso compatibilizar projetos e, principalmente, a execução. Vazamentos em tubulações que geram grandes buracos comprometem toda a pavimentação aplicada acima. É muito comum as concessionárias de água e energia abrirem rombos no asfalto para a execução de determinado serviço e depois remendarem de maneira bastante precária. Outro problema bastante frequente é o desnivelamento em bueiros, podendo ocasionar danos aos veículos e acidentes aos usuários da via.