sábado, 30 de março de 2013

Compactação Asfáltica


Uma pavimentação asfáltica de qualidade envolve em seu processo cuidados específicos com diversos fatores, tais como o tipo da mistura asfáltica, a curva de distribuição dos agregados, as condições climáticas durante a execução, entre outros. As etapas com maior suscetibilidade de erros são as execuções da pavimentação, pela operação da vibroacabadora de asfalto, e da compactação asfáltica, pela operação dos rolos compactadores. Neste tópico abordaremos a última etapa, que é a mais negligenciada e que pode comprometer todas as etapas anteriores mesmo que elas tenham sido bem executadas.
A compactação do concreto asfáltico é iniciada pela própria vibroacabadora de asfalto, que já pré-compacta o material através do sistema de placas vibratórias aquecidas. Os modelos de maior porte possuem também o tamper, que é um dispositivo de subida e descida a frente das placas vibratórias para auxiliar a pavimentadora no trabalho de pré-compactação e nivelamento do material asfáltico.
No entanto, são os rolos compactadores que possuem a atribuição de compactar a camada pavimentada. Alguns procedimentos básicos na operação precisam ser seguidos:
1)     Faixas de Compactação do Rolo:
A largura do cilindro do rolo compactador é inferior a largura de pavimentação da vibroacabadora de asfalto. Portanto, é necessário compactar em diferentes faixas. A execução deve ocorrer da seguinte forma:
·        Deve existir uma sobreposição entre as faixas de compactação, de 15 a 20 cm, evitando que haja partes não compactadas; 
·        Antes de mudar de direção, o cilindro deve ser levemente inclinado em relação à faixa compactada; 
·        As mudanças de faixas SEMPRE devem ser feitas na parte mais FRIA do asfalto. Ou seja, distante da vibroacabadora.
 
2)     Compactação em pavimentação sem contenção lateral:
Quando não há contenção lateral, tais como meio-fio de calçadas, o processo deve ser executado da seguinte forma:
·       A primeira passada de compactação (faixa número 1) deve ser iniciada a uma distância de aproximadamente 20 cm da lateral. Se a compactação for executada inicialmente junto a borda, ocorre o desalinhamento da mesma;
·       Nas faixas 2 e 3 a compactação é realizada de forma que cada faixa compactada tenha a sobreposição padrão (15 a 20 cm) uma em relação à outra;
·       Por fim, as duas pequenas faixas nas extremidades são compactadas (faixas 4 e 5).
 
3)     Compactação em pavimentação com contenções laterais:
Ocorre quando a pavimentação é executada entre calçadas e outras formas de contenção lateral.
 
A forma de executar é mais simples. A primeira passada do rolo (faixa 1) inicia na borda, junto à contenção lateral. O restante é compactado em faixas laterais sobrepostas até chegar à outra lateral.
 
4)     Compactação em pavimentação de faixas quente/fria:
A maioria das aplicações no Brasil se enquadra nesta classificação. A cultura de não utilizar pavimentadoras de maior porte faz com que seja necessário executar a pavimentação asfáltica em duas ou mais passadas. Isto ocorre quando a largura de pavimentação da máquina é inferior à largura da via.
 
 
Executadas em momentos diferentes, a primeira camada já estará resfriada no momento em que for aplicada a segunda. Portanto, alguns cuidados precisam ser seguidos:
·        A primeira passada (faixa 1) deve ser executada com 80% da largura do cilindro sobre a camada fria, e no máximo 20 cm sobre a camada quente; 
·        A segunda passada (faixa 2) deve ser executada com metade do cilindro sobre a camada fria e metade sobre o asfalto quente; 
·        IMPORTANTE: quando o cilindro estiver em contato com a camada fria (faixas 1 e 2), não deve ser utilizado o modo vibratório. O rolo deve operar nessas duas primeiras faixas em modo estático, pois a ação vibratória danifica a camada resfriada e também o próprio cilindro do equipamento; 
·        Na sequência, o rolo deve ser posicionado até a extremidade oposta (faixa 3) e respectivamente se deslocar até o centro (faixas 4 e 5).
 
5)     Compactação em pavimentação dupla:
Embora não seja comum no Brasil, este processo é utilizado largamente em países europeus onde se busca maior velocidade de execução das obras.
 


Quando duas vibroacabadoras de asfalto trabalham lado a lado e considerando que haja contenções laterais, a execução deve ocorrer da seguinte forma:
·        Iniciar a compactação pelas bordas, junto às contenções (faixa 1);
·        Os rolos são posicionados em uma nova faixa, em direção ao centro da pavimentação (faixas 2), obedecendo a sobreposição padrão de 15 a 20 cm;
·        Por fim, a última faixa (3) é compactada ao centro.
 
Além das recomendações mostradas, é preciso seguir mais alguns procedimentos básicos para uma ótima execução da compactação asfáltica:

·        Compactar sempre o mais próximo da vibroacabadora, desde que a temperatura do material não esteja acima de 145 °C;
·        Desligar a vibração antes de mudar de direção ou de parar o rolo;
·        Manobras sempre com movimentos suaves;
·        Ida e volta sempre pela mesma faixa, em linha reta;
·        Verificar o sistema de espargimento de água e os raspadores, para evitar a aderência de material asfáltico no cilindro do rolo;
·        Nunca deixar o rolo parado sobre o asfalto quente.

 
 
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Brazil Road Expo 2013



O grupo Wirtgen estará presente na Brazil Road Expo 2013, entre os dias 19 e 21 de março em São Paulo. O estande terá 460 m² e contará com nove equipamentos expostos: uma usina de asfalto, uma pavimentadora de asfalto de pequeno porte, uma fresadora de asfalto, uma recicladora e cinco modelos de rolos compactadores.
De equipamentos para pavimentação asfáltica, será apresentada a usina de asfalto modelo UACF Inova 1200 P1, da nova geração de usinas móveis da Ciber. O equipamento produz até 120 toneladas por hora, é de chassi único e apresenta uma série de avanços tais como maior área dedicada para secagem de agregados, área dedicada para mistura a seco antes da adição do CAP, utilização de material fresado (RAP) e monitoramento remoto, entre outros. Também estará em exposição o modelo de vibroacabadora de pequeno porte Vögele Super 700. Destinada a pequenas pavimentações, possui largura de pavimentação de 0,5 m até 3,2 metros com 15 centímetros de espessura máxima.
Da linha de equipamentos para manutenção e recuperação asfáltica serão apresentados os modelos W 100 de fresadora de asfalto, de fabricação nacional, e a novíssima WR 240, lançamento recente da Wirtgen em máquinas recicladoras e estabilizadoras, que traz uma série de avanços tecnológicos que garantem uma fácil operação, qualidade total na homogeneização do material e adaptação a diferentes tipos de solos e terrenos.
Da linha de rolos compactadores da Hamm, empresa do grupo Wirtgen que se dedica exclusivamente a fabricação e desenvolvimento de tecnologias de compactação, serão expostos os modelos 3411P e 3307 para terraplenagem. Estes compactadores, respectivamente de 11 e 7 toneladas, apresentam tração de fábrica, dupla frequência e amplitude de vibração para alta eficiência de compactação em solos coesivos e granulares, além do ponto triplo de articulação que garante amortecimento de choques, distribuição igual de peso no eixo traseiro, estabilidade direcional e segurança contra tombamento.
Já na linha para compactação asfáltica, serão apresentados três modelos: o rolo de duplo cilindro tandem vibratório HD 75, de 7.500 kg de peso operacional, e o rolo combinado HD 14 VT, de 4 toneladas, cilindro vibratório dianteiro e pneus no eixo traseiro. Estará em exposição também o modelo de pneus GRW 280, o mais moderno e com design mais arrojado da categoria com sistema de controle de pressão dos pneus, fácil lastreamento e dotado de oito pneus, garantindo igual distribuição de peso sobre o material asfáltico.
 
 
Na manhã do dia 21/3 faremos palestras técnicas sobre tecnologias de pavimentação. Meu colega Marcelo Zubaran, um dos maiores especialistas em usinas de asfalto e produção de misturas asfálticas do país, apresentará a palestra “Produção de Misturas Asfálticas Sustentáveis”. Zubaran participou ativamente no desenvolvimento da tecnologia de utilização de material fresado em misturas asfálticas a quente e na aplicação de asfalto morno espumado (Warm Mix Asphalt) em usinas de asfalto fabricadas no Brasil, os quais serão abordados em sua palestra. Estas aplicações já foram utilizadas em obras experimentais no Brasil, cumprindo todos os parâmetros técnicos e de qualidade exigidos. A utilização de material fresado em usinas já foi postado aqui no Blog.
Na sequência, eu abordarei dois temas. O primeiro será “Pavimentação e Compactação Asfáltica”, ressaltando as premissas básicas e os cuidados necessários para uma correta aplicação do material asfáltico na pista. Muitos defeitos nos pavimentos são originados pela má aplicação do concreto asfáltico pela vibroacabadora (pavimentadora) e por erros básicos na passagem dos rolos compactadores de asfalto. Uma série de procedimentos básicos e pequenos cuidados na operação dos equipamentos garantem uma pavimentação de qualidade.

 
A última palestra terá o tema “Métodos de Reciclagem de Asfalto”, abordando as tecnologias desenvolvidas pelo grupo Wirtgen para reciclagem a frio e a quente que hoje são largamente utilizadas em todo o mundo. Em reciclagem a frio, o uso das recicladoras em recuperação estrutural de pavimentos asfálticos, podendo aplicar cal, cimento ou espuma de asfalto. Também há a opção de uma usina de reciclagem a frio, quando houver grandes quantidades de material fresado e de materiais provenientes da demolição da construção civil (RCD), para a produção de camadas de ligação (binder) em pavimentos. Já em reciclagem a quente se utiliza material fresado (RAP) em usinas de asfalto. Todos os métodos de reciclagem garantem rapidez de execução e redução de custos da obra, além de ser ecologicamente correto ao dar uma boa finalidade para materiais que acabariam sendo descartados.
Compareçam a Brazil Road Expo para bater um papo com a gente!

 


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cuidados na Pavimentação


Serviços de construção, manutenção e reabilitação viária, este último também conhecido como recapeamento ou recapagem, são essenciais para melhorar a qualidade de vida da população. No entanto, precisam ser realizadas da maneira correta.
As estradas, ruas e avenidas sofrem um processo natural de envelhecimento e desgaste. A deterioração de pavimentos asfálticos geram transtornos a população. Para solucioná-las, muitas vezes são executados serviços sem planejamento técnico adequado, de resultado final ruim que gera retrabalho e prejuízos financeiros.
É preciso repensar a forma com quem as obras de pavimentação e recapeamento são realizadas em todo o Brasil. É imprescindível que o serviço seja de qualidade, tanto no projeto quanto na execução.
Muitos cuidados precisam ser tomados em todas as etapas construtivas. Selecionei alguns problemas que vivenciei como engenheiro de aplicação e que são bastante comuns em obras de pavimentação pelo Brasil:
1.      Compactação de base: etapa em que omissões e falta de cuidados são frequentes e notórios. Uma compactação mal executada pode resultar em afundamentos que danificam as camadas acima. A capacidade de suporte precisa ser adequada à carga que será recebida. Na execução, os erros comuns são compactar com excesso de umidade e a sobrecompactação, conhecida também como supercompactação, que é o excesso de passadas do rolo compactador. Isto faz com que o solo, quando já está compactado e com todos os quase todos os seus vazios já preenchidos, sofra o processo de descompactação pela continuidade do impacto do cilindro vibratório.

2.      Produção do concreto asfáltico: o material asfáltico produzido precisa ser homogêneo e com os agregados totalmente cobertos pelo ligante asfáltico (CAP). Os cuidados precisam ser tomados desde a alimentação dos agregados. Estes devem estar com pouca umidade, pois o excesso diminui a produção da usina. O agregado com umidade acima do tolerado também afeta a mistura com o ligante asfáltico (CAP), resultando em massa de má qualidade, apresentando bolhas oriundas da evaporação que provocam o surgimento de cavidades internas. O sistema de dosagem da usina precisa também ser extremamente preciso para que não haja distorções no traço da mistura. Recomenda-se que o sistema de secagem e mistura da usina de asfalto seja o mais eficiente possível.

3.      Mesa compactadora desregulada: ao iniciar a pavimentação, a vibroacabadora precisa estar com sua mesa compactadora regulada. É imprescindível que a mesma já esteja aquecida, pois em temperatura mais baixas o asfalto acaba aderindo a suas chapas alisadoras, provocando arrastamento do asfalto e segregação do material. A abertura da extensão hidráulica precisa ser regulada, de modo que não deixe marcas no asfalto e que não haja diferenças de inclinação. A foto abaixo mostra um exemplo de falta de regulagem na abertura hidráulica da mesa, com um risco na junção da parte da mesa fixa com a parte aberta, em ambos os lados. Também há segregação de material na parte central.

4.      Falta de nivelamento na pavimentação: queixa mais comum da população e dos leigos em pavimentação em geral. Quem nunca trafegou por uma rua totalmente desnivelada ou cheia de ondulações que provocam desconforto e perigo para os condutores? Geralmente ocorrem por má-execução da pavimentação. As pavimentadoras (vibroacabadoras) de asfalto possuem sistemas de nivelamento de simples uso e baixo custo. Porque não são utilizadas? Porque não se exige, principalmente em pavimentação urbana, cujos serviços são na maior parte das vezes realizados “na coxa” e com fiscalização deficiente.

Abaixo, um exemplo de sistema de nivelamento utilizado. O esqui mecânico faz a cópia da referência na pista já pavimentada e automaticamente mantém a mesa compactadora com os mesmos parâmetros de inclinação.

 

5.      Espessura adequada da camada asfáltica: Problema que ocorre principalmente em pavimentação urbana. Espessura fina em trechos de tráfego pesado, assim como camadas espessas em locais de baixo tráfego. As camadas de base precisam também ter a espessura adequada, para a correta transferência das cargas do tráfego.

A contratação de consultoria especializada para o correto dimensionamento pode evitar futuros retrabalhos e desperdício de verba pública. Em grandes cidades, o ideal é que vias de tráfego pesado intenso, corredores de ônibus e sistemas de BRT sejam de pavimentos de concreto, de grande durabilidade e maior vida útil.
 

6.      Compactação asfáltica: é a etapa em que muitos erros de aplicação ocorrem. São tantos e inúmeros os erros cometidos que irei escrever um tópico a parte. Entre os principais, o acionamento do sistema vibratório do cilindro na junta da faixa quente com a faixa fria, ocasionando quebra dos agregados do asfalto já frio. A foto abaixo mostra como fica um pavimento asfáltico com agregados da mistura triturados do lado esquerdo da junta entre as faixas pavimentadas.

 

O controle da temperatura do asfalto é muito importante, pois não deve ser utilizada a compactação vibratória com temperatura inferior a 100°C. Se a temperatura estiver próxima, o recomendado é que se passe somente o rolo de pneus.
 

7.     Fresagem do pavimento deteriorado: o recomendado é que seja avaliada a condição do pavimento. Em muitos casos uma simples fresagem da camada deteriorada é o suficiente. Porém, em outros casos o nível de degradação é tão alto que as camadas de base estão igualmente comprometidas. Dessa forma, é preciso uma intervenção de reciclagem do pavimento. Atualmente há diversas soluções técnicas para a reabilitação asfáltica, tais como a reciclagem a frio in-situ com a utilização de máquinas recicladoras. Outra solução é a reutilização de material fresado em usina para a produção de concreto asfáltico a quente (CBUQ).

Um erro comum é pavimentar uma nova camada sobre o asfalto degragado. As trincas e rachaduras se propagam para a nova camada, cuja vida útil acaba sendo bastante encurtada.

 
 
8.      Compatibilidade com obras de drenagem e saneamento: é preciso compatibilizar projetos e, principalmente, a execução. Vazamentos em tubulações que geram grandes buracos comprometem toda a pavimentação aplicada acima. É muito comum as concessionárias de água e energia abrirem rombos no asfalto para a execução de determinado serviço e depois remendarem de maneira bastante precária. Outro problema bastante frequente é o desnivelamento em bueiros, podendo ocasionar danos aos veículos e acidentes aos usuários da via.
 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Distribuidor de cal e cimento



É o equipamento utilizado para aplicação de agentes ligantes, tais como cimento ou cal, em obras de estabilização de solos e reciclagem de pavimentos asfálticos. Trata-se de uma grande inovação na execução destes tipos de aplicação.
Os distribuidores, também chamados de espargidores de agentes ligantes em pó, controlam de forma extremamente precisa a taxa de aplicação. Através de um sistema de controle eletrônico ocorre a regulagem instantânea da quantidade de material que está sendo despejada sobre o solo. A relação se dá pelo volume aplicado em determinada unidade de área (kg/m²), cuja proporção se mantém inalterada mesmo que haja variações da velocidade de avanço do equipamento.
Silo de armazenamento de material com determinado volume é localizado na parte superior da máquina. Há diversas opções deste tipo de equipamento. Pode ser empurrado por um trator ou caminhão, ou até mesmo autopropulsado. O sistema de controle da taxa de aplicação pode ser composto por caracóis sem-fim ou por um sistema rotativo de comportas emborrachadas. Todos os parâmetros de operação são visualizados e controlados pelo operador.
 
A fabricante alemã Streumaster é parceira do grupo Wirtgen em soluções para trabalhos de estabilização de solos e reciclagem de asfalto que envolva a aplicação de cal ou cimento. Produz diversos modelos que se adequam aos mais variados tipos de necessidades. Para o Brasil já foram importadas algumas destas máquinas, como o modelo SW 16 MC. Este equipamento armazena 16 m³ de material e é rebocado por um caminhão, permitindo o fácil transporte entre diferentes locais de aplicação. É recomendado para ser utilizado em um comboio de estabilização ou de reciclagem, em frente à recicladora, devido à rapidez no deslocamento e na distribuição do material.  
 
 
 

A evolução das técnicas construtivas trouxe um grande aumento da produtividade e qualidade dos serviços de recuperação de pavimentos asfálticos. Um exemplo de novos e revolucionários equipamentos são as recicladoras de asfalto, que chegaram ao Brasil na década de 90 e hoje são largamente utilizadas em obras de estabilização de solos e reciclagem asfáltica em todo o país. No entanto, a etapa de espalhamento de cal ou cimento ainda é executada de modo manual na maior parte das obras, sem qualquer tipo de precisão. Alterações da quantidade de material lançada, em excesso ou em pouca quantidade, podem comprometer de forma bastante significativa a qualidade final da obra.
 



 
 
 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Pavimentadoras de Concreto

 
Para a correta construção de pavimentos em concreto, é recomendada a utilização de máquinas específicas que garante rápida e perfeita execução do projeto. As pavimentadoras de concreto são equipamentos que aplicam o material e executam o nivelamento da pista em construção de pavimentos rígidos. Estão aptas também, de maneira opcional, a aplicar as armaduras de aço durante o processo de concretagem.
A pavimentadora de concreto é autopropulsada e se movimenta através de quatro esteiras de borracha maciça hidraulicamente manobrável. Um caracol espargidor ou arados distribuem uniformemente o concreto em toda a largura de aplicação, por onde através de vibradores o mesmo é compactado. A máquina é configurada de forma modular de acordo com a largura de projeto. Os modelos de pavimentadoras de concreto da Wirtgen podem executar a concretagem de pavimentos com larguras desde 2 metros até o máximo de 16 metros. É possível instalar uma estrutura retrátil nas bordas para aplicações em larguras variáveis. O sistema de nivelamento funciona através de sensores (apalpadores mecânicos) que executam a leitura de um fio-guia, instalado pela equipe de topografia.


O esquema de funcionamento da pavimentadora está representado abaixo. O concreto é despejado sobre a pista para que o equipamento execute o nivelamento do pavimento:



 
 

O equipamento apresenta uma série de opcionais configuráveis, se adequando as exigências técnicas de cada projeto. Insersores automáticos de armaduras de aço são acopláveis a máquina e são facilmente controladas, sendo possível inserir barras de ligação, barras transversais centrais e laterais. Régua de acabamento superficial e braço alisador são itens opcionais recomendados também para uma ótima execução do pavimento de concreto. Todas estas customizações são realizadas de acordo com a necessidade de cada aplicação.
Em Porto Alegre está em andamento obras de execução das linhas de BRT para a Copa de 2014, que na realidade é apenas a substituição do pavimento asfáltico por um pavimento de concreto nos corredores de ônibus. No entanto, a construção está sendo executada de forma manual (sem a utilização de pavimentadora), o que leva um tempo muito maior de obra. A execução manual também é mais difícil para garantir o correto nivelamento de pista, dependendo muito da habilidade e competência dos operários. Já no Rio de Janeiro, a pavimentadora modelo SP 500 da Wirtgen está em operação, executando obras viárias na cidade (foto abaixo).
 

Além das pavimentadoras que concretam a pista, há modelos específicos para concretagem de perfis monolíticos off-road, tais como canais, valetas, sarjetas e barreiras de segurança. As versões mais compactas de pavimentadoras permitem utilizar uma infinidade de moldes para concretar as mais diferentes formas.  O modelo SP 15 da Wirtgen, que trabalhou na construção de barreiras de concreto New-Jersey na BR-101, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, conseguiu atingir altos níveis de produção ao executar de maneira contínua a barreira. Fotos abaixo foram tiradas quando no elevado localizado no município de Terra de Areia-RS.



 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Concreto x Asfalto



O pavimento rodoviário se classifica basicamente em dois tipos: rígidos (concreto) e flexível (asfalto).
Pavimentos flexíveis em sua maioria são associados às misturas asfálticas compostas basicamente de agregados e ligantes asfálticos. Na maioria dos países a pavimentação asfáltica é a principal forma de revestimento. No Brasil, mais de 95% das estradas foram pavimentadas com material asfáltico. São diversas as razões para o uso intensivo do asfalto em pavimentação. O concreto asfáltico proporciona forte união dos agregados, permite flexibilidade controlável, é impermeável, de fácil aplicação e manuseio quando aquecido. Permite amplas combinações com outros materiais, tais como asfalto borracha de pneus moídos, asfalto com polímero, reutilização de material fresado na produção de CBUQ, misturas mornas (WMA), entre outras inúmeras aplicações que trazem grande versatilidade na utilização desta opção.
Já o pavimento rígido é associado ao concreto de cimento Portland, sendo um revestimento feito de placas de concreto que podem ser armadas ou não com barras de aço, apoiada geralmente sobre uma sub-base de material granular ou de material estabilizado com cimento. A espessura é fixada em função da resistência à flexão das placas de concreto e das resistências das camadas subjacentes.
As vantagens da pavimentação em concreto é a grande resistência a deformações, distribuição eficaz das tensões, maior resistência à abrasão, alta aderência do pneu, ótima refletividade (ideal para condução noturna), alta taxa de segurança (menor risco de aquaplanagem, por ter melhor aderência) e alta vida útil, sendo de aproximadamente 30 anos, mais que o dobro do pavimento asfáltico. O pavimento rígido em concreto também sofrerá menos intervenções de manutenção ao longo de sua vida útil.
O pavimento rígido em concreto é recomendado para vias de tráfego pesado e corredores de ônibus (BRT). A sua construção apresenta um custo maior em comparação ao asfalto. O valor não é preciso devido a grande variedade de tipos de concreto asfáltico e os valores dos insumos por região, no entanto considera-se em média o custo do pavimento de concreto 30% maior em relação ao pavimento asfáltico. Embora o custo seja maior, o pavimento em concreto resistirá por um tempo muito maior, praticamente sem precisar de manutenção. Evitam-se patologias comuns em pavimentos asfálticos com alto tráfego, como as trilhas de rodas e escorregamentos laterais. Um exemplo é a foto abaixo, tirada em um corredor de ônibus em Porto Alegre.
                                
É preciso que a aplicação do pavimento rígido seja bem executada. Alguns projetos no Brasil tiveram grandes problemas na execução e também na concepção do projeto, por desconhecimento técnico por parte dos projetistas e das empreiteiras. Um exemplo é o Contorno Sul de Curitiba, cujos defeitos foram maquiados com a pavimentação de uma camada asfáltica sobre a camada de concreto. Em pavimentação de concreto, os erros na obra aparecem rapidamente e o retrabalho tem um custo muito maior em relação aos pavimentos asfálticos.

O  assunto da próxima postagem será sobre pavimentadoras de concreto, suas aplicações e tecnologias.


 
 
 


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Material Fresado em Usinas de Asfalto


As mais recentes usinas de asfalto permitem que seja incorporado material asfáltico fresado (RAP) na produção do concreto asfáltico a quente. A dificuldade de incorporar o RAP no processo convencional de usinagem ocorria pelo fato de que o material não pode receber o mesmo processo de secagem dos agregados minerais virgens devido à presença de ligante asfáltico (CAP), que seria danificado dentro do tambor secador por causa da radiação provocada pela chama do queimador.
Uma solução desenvolvida pelo fabricante Ciber Equipamentos Rodoviários em sua nova série de usinas foi a concepção de um tambor secador com um anel especial para receber o material fresado, que percorre por dentro de uma câmara especial o caminho até o encontro com os agregados virgens. O aquecimento ocorre por condução e não há exposição à radiação do queimador. Por questão volumétrica de vazão de materiais, esta solução é adotada para misturas asfálticas de até 10% de RAP em sua composição. A dosagem ocorre em um silo especial que trabalha em conjunto com o sistema de dosagem dos materiais virgens. Há possibilidade de instalação de um destorroador junto ao silo de recebimento do material fresado, para reduzir a granulometria e deixar o material mais homogêneo. É preciso conhecer a sua granulometria sem a presença de ligante asfáltico, cujo teor de asfalto deve ser conhecido e descontado na vazão do ligante virgem.
Abaixo, a perspectiva do módulo para utilização de até 10% de RAP e a forma com que o material fresado é introduzido no secador da usina.





Em projetos especiais, com o uso superior a 10% de material fresado na composição de uma nova mistura asfáltica, é necessário instalar um módulo adicional acoplado a usina. O desenvolvimento desta solução, que ocorreu no Rio Grande do Sul,conseguiu atingir com êxito a taxa de utilização de 50% de RAP na fórmula de produção de CBUQ, atendendo a todos os requisitos técnicos (CBUQ DNIT ES 031/2006).

O módulo adicional é formado por um silo de recebimento de fresado com destorroador. Por correia transportadora, o material passa por sistema de peneiras vibratórias. Há uma separação granulométrica na peneira #8 em RAP grosso (granulometria superior a 2,38 mm) e RAP fino (de granulometria inferior). Na sequência, o material segue para dois silos de entrada e separadamente entra em um tambor secador especialmente adaptado. O material mais grosso segue pela parte central do tambor, assim expondo menor quantidade de ligante asfáltico (CAP) a chama do queimador. O material fresado mais fino, com grande presença de ligante asfáltico, entra em uma câmara especial onde aquece apenas por condução térmica. Ao final, os materiais são transportados até o misturador da usina.

A figura abaixo mostra uma perspectiva do módulo para incorporação de até 50% de RAP na mistura. Na sequência, uma foto deste módulo acoplado a uma usina de asfalto.




Os testes realizados de forma bem sucedida podem abrir uma excelente alternativa para obras de manutenção e grandes projetos de reabilitação rodoviária no Brasil, pois o equipamento é produzido nacionalmente (maiores facilidades de financiamento, entrega e instalação) e o fato de reutilizar um grande percentual de material fresado pode acarretar uma grande redução no orçamento destas obras, além de dar um ótimo destino a grandes quantidades de RAP que acabavam sendo descartadas.