segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Usinas de Asfalto


Algo que tem me surpreendido nesses anos de trabalho é a constatação de que muitos envolvidos em obras de pavimentação conhecem pouco sobre usinas de asfalto.
A Usina de Asfalto pode ser considerada o coração das obras de pavimentação, já que é o equipamento que produz a mistura asfáltica para ser transportada a todos os locais de aplicação e canteiros de obras. Um bom desempenho depende de uma série de fatores tais como condições de armazenamento e transporte dos agregados, treinamento de mão-de-obra para operação, correta calibração da usina, entre outros.
Existem basicamente dois tipos de usinas de asfalto: as móveis de dosagem contínua de agregados, e as usinas fixas de dosagem descontínua. No Brasil, mais de 90% das usinas vendidas no país são do tipo móvel. Podemos classificar as usinas de asfalto também por outros quesitos, tais como processo de secagem (fluxo paralelo ou contrafluxo) e processo de mistura (interna ou externa ao tambor de secagem dos agregados), porém a classificação mais importante é em relação a dosagem dos agregados minerais.

USINAS MÓVEIS DE DOSAGEM CONTÍNUA




As usinas móveis possuem pesagem dinâmica individual de cada um dos agregados. Abaixo do silo de recebimento do material, há correias dosadoras com correções instantâneas de velocidade de acordo com o peso detectado por uma célula de carga. A dosagem ocorre de maneira simultânea entre todas as correias com os diferentes agregados.
Por exemplo, a fórmula determina que 21% do traço da mistura asfáltica seja de brita zero. O controlador da Usina vai manter uma velocidade proporcional entre as correias para que este valor seja mantido. Caso haja problema de alimentação e diminua a quantidade de agregados, a velocidade de cada correia é automaticamente diminuída para manter a mesma proporção entre diferentes agregados. Para que isto ocorra, é necessário todo um processo de calibração na entrega técnica da Usina.


USINAS FIXAS DE DOSAGEM DESCONTÍNUA
Já as usinas fixas possuem pesagem estática dos agregados. O carregamento dos mesmos também se dá por alimentação através de silos, porém as correias abaixo não possuem função de dosagem. Estas apenas transportam os agregados até o tambor de secagem. Na sequência, os agregados são transportados até o alto de uma torre, por onde caem a um conjunto de peneiras vibratórias. O deslocamento do material durante a dosagem se faz com auxílio da força da gravidade, sendo esta a origem da denominação Usina Gravimétrica.
Esta torre possui quatro compartimentos: zona de classificação com peneiras vibratórias, silos de dosagem, balança de pesagem e misturador. De acordo com a fórmula estabelecida para o traço do asfalto, a comporta de passagem de cada silo é aberta até que se atinja a porcentagem indicada para cada agregado. Esta porcentagem é detectada pelo silo balança, através da leitura do peso de cada tipo de agregado. Após a dosagem é adicionado o ligante asfáltico (CAP) ao misturador.


O processo de dosagem é descontínuo pois há interrupção do processo. Este ciclo de dosar, interromper a dosagem, misturar e descarregar o material asfáltico é conhecido como batelada. Embora seja o processo mais preciso, uma usina gravimétrica apresenta dificuldades logísticas para transporte e montagem. Cabe a cada empresa analisar os prós e contras antes de escolher qual é o modelo mais adequado para sua demanda.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Por melhorias na pavimentação

 
A presidente Dilma Roussef anunciou recentemente um pacotão de investimentos em infraestrutura. Mais de 40 bilhões de reais serão investidos em rodovias. Seria de comemorar se não ocorrer os típicos problemas brasileiros do setor: corrupção (sobrepreço de materiais na orçamentação), aditivos (por orçamentos mal feitos, na maioria das vezes), projeto mal elaborado e execução de péssima qualidade, com equipamentos defasados, operadores sem treinamento e engenheiros sem conhecimento técnico suficiente. Certamente se os problemas citados fossem eliminados (ou ao menos diminuídos), com esse mesmo montante investido poderia se executar mais obras e com qualidade superior.
Infelizmente, a pavimentação no Brasil é feita em toque de caixa e geralmente com interesses eleitoreiros. Não há estudo adequado do solo e do tráfego no local. É preciso projetar o tipo de pavimento adequado, preparar o solo e executar a pavimentação. Um dos erros mais comuns em pavimentação urbana é asfaltar sobre paralelepípedos (escreverei especialmente sobre este caso mais adiante). Já em construção de rodovias, muitas anomalias são oriundas de problemas nas camadas de base que refletem no pavimento acima, assim como também do mal uso das vibroacabadoras de asfalto e dos rolos compactadores. Em manutenção e reabilitação de rodovias é ainda pior, pois os famigerados tapa-buracos são executados de maneira precária e os remendos desnivelados se multiplicam, o que gera desconforto e falta de segurança ao usuário.
No blog vou compartilhar um pouco da minha experiência nestes anos como engenheiro de aplicação de equipamentos de pavimentação. Principalmente em relação a novas soluções e máquinas alemãs que introduzimos no Brasil e que estão sendo cada vez mais utilizadas em obras rodoviárias pelo país. Pretendo atualizar o Blog uma ou duas vezes por mês, dependendo da minha corrida agenda de viagens profissionais, trazendo informações e novidades sobre pavimentação.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Iniciando os trabalhos...


Depois de muitas sugestões estou criando o blog ASFALTO DE QUALIDADE para debater o assunto referente a pavimentação, construção e manutenção de rodovias. Por trabalhar na área nos últimos anos, acabei adquirindo o hábito de sair por ai analisando asfalto, qualidade de pavimentação e afins. Mesmo quando estou de férias, passeando em algum feriado ou até mesmo quando saio pra jantar e meu carro cai em algum desnivelamento de pista. Amigos, colegas de trabalho e até a namorada sugeriram que eu fizesse algo na Internet. Então, vamos começar o trabalho :)

     Como informação inicial, foi divulgado que no Brasil aproximadamente 90% das rodovias municipais, estaduais e federais não são pavimentadas. E das que estão asfaltadas, mais da metade precisa de intervenção imediata devido ao mau estado de conservação. Infelizmente nossa infra-estrutura é de nível de países subdesenvolvidos. Além da falta de investimento, boa parte dos serviços executados no Brasil são mal planejados, com erros de projeto, e pessimamente executados. Vamos abordá-los ao longo deste blog.